O Cocheiro da Morte e Outros Títulos

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O Cocheiro da Morte e Outros Títulos

Claudio Parreira

 

A sueca Selma Lagerlöf, com certeza, não é lá muito conhecida por aqui. Nascida em 1858, construiu uma vasta obra, que acabou por fazer dela a primeira mulher e receber o Nobel de Literatura, em 1909 — e também, alguns anos mais tarde, a primeira a integrar a Academia Sueca (1914).

O que mais me chama a atenção na escritora, no entanto, é que sua época era marcada basicamente pelo realismo naturalista, e ela — que também fazia parte da causa feminista sueca — voltava suas atenções para os contos e “causos” populares, que se refletiram em sua obra com relatos de imaginação e fantasia jamais escritos até então.

Destaco aqui um livro muito interessante: O Cocheiro da Morte. Ele se baseia numa lenda escandinava, na qual o último homem a morrer no último dia do ano torna-se imediatamente o cocheiro predestinado da Morte: pega numa foice e vai de necrotério em necrotério durante 365 dias até que um outro o substitua no dia 31 de dezembro, também conhecido como dia de São Silvestre.

O livro foi publicado originalmente em 1912, mas gostaria de falar aqui da edição portuguesa de 1975, da Coleção Livro B, que traz, além da narrativa-título, outros sete contos e lendas que evidenciam ainda mais o imaginário fantástico de Lagerlöf.

Essa breve introdução, aliás, foi mesmo para falar da Coleção Livro B, da Editorial Estampa portuguesa, que foi a primeira coleção de literatura fantástica que me caiu nas mãos. Confesso que fiquei surpreso com O Cocheiro da Morte, mas depois acabei por descobrir Manuscrito Encontrado em Saragoça, de Jean Potocki (muito comentado por Tzvetan Todorov em Introdução à Literatura Fantástica).

Não sei exatamente quantos títulos a Coleção Livro B atingiu (conheço apenas 31, que trazem obras de Thomas de Quincey, Ambrose Bierce, Villiers de L’Isle-Adam, Baudelaire, Poe, Lovecraft, Borges & outros tantos). Há anos também não vejo mais exemplares nas livrarias, só em algumas (poucas) que encomendam e importam quando ainda se encontram exemplares disponíveis.

Aqui no Brasil, nos anos 80, que eu me recorde apenas as editoras Brasiliense (que traduziu Manuscrito Encontrado em Saragoça, de Potocki), e L&PM lançaram coleções que deram destaque à Literatura Fantástica mais clássica e moderna. A L&PM ainda continua por aí, agora com os livros de bolso que se podem encontrar em bancas de jornais e livrarias espalhadas pelo país.

O trabalho mais bacana em Literatura Fantástica e de Horror já feito no Brasil, na minha opinião, foi feito pela Livraria Francisco Alves Editora, que lançou em 1981 a Coleção Mestres do Horror e da Fantasia. Embora contenha muitos títulos de Stephen King (o que não é nada mau), a coleção traz também uma variedade muito grande de autores clássicos e obras que já não se encontram mais por aí. Se você quiser ver uma lista mais detalhada da Coleção, clique neste link:

http://www.bibliotecadoterror.com.br/2014/03/colecao-mestres-do-horror-e-da-fantasia.html

 

Nosso encontro mensal termina por aqui — mas eu volto com mais, muito mais!

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