ENTREVISTA: M. D. AMADO
M. D. Amado é mineiro de Belo Horizonte, MG. Analista de Sistemas por acidente, começou a escrever em 2004, inspirado nos contos de escritores nacionais de literatura fantástica. Fã de Ken Follett, Edgar Allan Poe, Ray Bradbury, Augusto dos Anjos, Lord Byron e outros, brinca com as palavras sem compromisso com gênero ou estilo literário.
É autor da insanidade literária "Empadas e Mortes", um e-book gratuito e do livro de contos "Aos Olhos da Morte". O autor participou de várias antologias nacionais de literatura fantástica. É também responsável pelo e-zine R.I.P. - Read in Peace e pelo site Estronho e Esquésito, fundado em 1996 e pela Editora Estronho. Além de entretenimento, o site disponibiliza acesso gratuito para divulgação de contos e obras dos autores nacionais.
Amado, apesar de contar com uma grande vivência como editor do site Estronho, imaginamos que a mesma função, agora com a editora, deve lhe proporcionar experiências bem distintas. Sendo assim, quais as principais dificuldades em se lidar com os autores que você encontra como editor de livros?
São muitas as diferenças do trabalho feito no site para o que fazemos na editora. No site não há compromisso com seleção de textos, por exemplo. Você manda seu conto ou poema e estando dentro da temática do site, ele é publicado para ser julgado pelos leitores. Muitos erros de ortografia podem ser vistos inclusive, porque não há como fazer a revisão de cada texto que chega.
Já na editora o papo é mais sério. Temos a seleção dos textos, o contato mais direto com os autores, a preocupação com as diagramações etc.
Até que tenho sorte, se comparado a outros amigos editores. Tenho poucos problemas com autores. Geralmente são autores que não aceitam quando um texto é recusado... ou quando dois textos foram recusados... ou a terceira tentativa... (risos). Ou ainda autores teimosos (mesmo com experiência e livros já publicados). Você dá dicas para melhorar o texto, ou aponta erros ou redundâncias, mas eles nunca dão o braço a torcer. O escritor que deseja realmente ser um profissional precisa entender que não é porque seus amigos autores gostaram do seu texto, ou que a família inteira tem orgulho dele por ser escritor, que o texto dele é maravilhoso e está garantido em qualquer publicação. Tem autor que chega com o argumento de que já publicou em várias antologias, e que por isso tem experiência e não entende porque seu texto ficou de fora e acaba levando a coisa pro lado pessoal. Eu só posso lamentar atitudes como essa. É preciso aceitar um não. Faz bem isso. Eu mesmo levei alguns durante alguns anos e fui atrás. Procurei melhorar e acabei sendo convidado para outros projetos e passei na seleção de mais alguns. Mas aceitei o não e procurei melhorar.
Por outro lado também é preciso dizer, que nem sempre que seu texto não é selecionado, significa que ele é ruim. Pode simplesmente não ter sido tão bom quanto outros que foram selecionados. Ou ainda não se encaixou tão bem na proposta da antologia, quanto outros. Tem gente, aliás, que simplesmente ignora os regulamentos e propostas e escreve como acha melhor. Depois reclama que não entende porque não foi selecionado.
Resumindo: o maior problema com autores é o ego inflado e falta de profissionalismo.
Sabemos que a Editora Estronho tem parceria com algumas editoras. Quais são as vantagens destas parcerias, considerando que todas elas disputam o mesmo mercado da Literatura de gênero? Você acha que há espaço para mais antologias sem saturar este mercado?
Como vantagens posso destacar a realização conjunta de eventos, como ocorre com a Tarja e Estronho, onde há uma troca muito interessante de público e por consequência de vendas realizadas; posso destacar também a troca de informação entre os editores, tanto em relação a novos talentos, quanto em relação a autores problemáticos (risos).
A concorrência existe? Sim... Infelizmente algumas editoras enxergam as outras apenas como concorrentes e ponto. Mas não é senso comum. Hoje temos um entrosamento muito bom principalmente entre as pequenas editoras. Eu, por exemplo, faço diagramações para a Llyr Editorial, que curtiu o trabalho do Estronho e me procurou. A Draco é uma das maiores parceiras da Livraria Estronho. A Tarja, como disse antes, parceria de eventos, além de trocarmos ideias constantemente. A Literata foi quem abriu as portas para a Estronho. A Argonautas também já foi parceira de eventos e eu fui autor convidado de uma de suas obras. A Editora e Livraria Arte e Letra hoje tem sido um dos nossos maiores parceiros e por aí vai.
Por outro lado, surgem de vez em quando nos bastidores gente “pequena”, medíocre, tentando jogar uma editora contra a outra. E se você não tiver uma cabeça legal, entra na onda dessas figuras frustradas.
Quanto a pergunta sobre espaço para novas antologias, é uma questão delicada. Sabemos que não há um público muito grande que gosta de contos. Ainda existe um certo preconceito. Ou melhor, até temos um bom público, mas muitos não compram antologias. Gostam de ler online. Alguns compram, mas têm medo de arriscar a ler novos autores. Além disso, tem a questão do dinheiro. Haja grana para comprar tudo que surge no mercado. Mas ainda assim, achamos válida a publicação, tanto para dar chance a novos autores, quanto para ampliar a variedade de escolha dos leitores. Às vezes os temas são parecidos ou idênticos, mas a seleção feita por uma editora pode ser completamente diferente da outra, no que diz respeito a estilo de escrita, novos autores, roteiro proposto etc. E também é com base no retorno dos leitores das antologias é que começamos a prestar mais atenção em determinados autores, propondo inclusive o lançamento de um livro solo.
Marcelo, conforme várias entrevistas e depoimentos, você começou com um site exibindo curiosidades, depois foi ampliando o seu gosto pela literatura e pela escrita. Participou, e participa de várias antologias. Seu primeiro livro solo foi uma coletânea de contos, o “Aos Olhos da Morte”. E agora, além do trabalho com a Editora Estronho, quais são seus planos como escritor? Há algum projeto em andamento ou o seu tempo está todo concentrado na função de editor?
Tempo? O que é isso? É de comer?... Bom, tempo para escrever realmente falta. Além da editora, tenho uma empresa de sistemas que exige muita dedicação. E o trabalho na Editora Estronho exige cada vez mais atenção e cuidados. Sem falar que inventei de voltar com a Revista R.I.P. , o que também vai me tomar bastante tempo.
Mas a gente vai deixando de dormir um pouco num dia, apertando aqui, espremendo dali e a passos de tartaruga com reumatismo, vamos escrevendo. Estou trabalhando em um livro juvenil que deve sair ano que vem, e escrevendo alguns contos para novas antologias que pretendo participar. E na semana passada surgiu a ideia de para um romance sobre a morte e já tenho feito anotações e pesquisas para iniciar a escrita em breve, mas sem pressa.
Dentre os lançamentos da Editora Estronho, um se destaca bastante: a série “VII Demônios”. Como você encara os riscos de um projeto tão audacioso como este? Você acha que a boa aceitação do primeiro volume está diretamente ligada ao sucesso dos seguintes? Você acredita que um leitor que, por acaso, venha a não se identificar com um dos livros possa desistir de conhecer os demais?
Pode acontecer sim, claro. É bom lembrar que acima do cuidado na seleção de textos, diagramação diferenciada, seleção de autores e tudo que envolve uma suposta boa edição, está o gosto do leitor. Por mais que você ache seu projeto um puta projeto, alguns leitores detestarão. E também pode acontecer de livros que você não bota muita fé, caírem no gosto dos leitores. Sinceramente esse tipo de preocupação não me toma muito tempo. Claro que a gente pensa a respeito, mas eu procuro não deixar que isso atravanque algum projeto ou ideia interessante. Os primeiros volumes de VII Demônios podem sim, determinar o sucesso ou fracasso dos demais, mas ter medo disso é ter medo de ousar. E não é essa a praia da Editora Estronho. Nossa praia é a ousadia e o risco, sempre. Aí que está a diversão.
É fato que você tem uma preocupação com o acabamento gráfico dos livros que saem sob o selo Estronho, tanto na versão em papel quanto nas chamadas “degustações”. É você quem cuida de toda este parte gráfica? Quanto tempo leva uma capa para ficar pronta e qual delas, já lançada, levou mais tempo? A capa de “Cursed City”, por exemplo, como foi feita?
Sim, eu cuido de toda a diagramação dos livros. Quanto as capas, algumas como “Adorável Noite”, “Na próxima lua cheia” e “Jarbas” já vieram com uma ideia formada pelos próprios autores e minha intervenção foi apenas no acabamento, escolha de fontes e detalhes assim. O tempo varia muito. Tem capas que você termina em duas horas mais ou menos. Outras como a do Deus Ex Machina, levei algo perto de uma semana para finalizar (não em horas e dias seguidos, mas parando aqui e ali para amadurecer a ideia). Conto às vezes com os palpites sempre muito bem-vindos da Celly Borges, como aconteceu no Deus Ex Machina e na segunda versão da capa de Insanas (que foi a capa publicada). A capa de Cursed City levou uns dois dias, pois eu trabalhei toda a cerca para que desse o efeito de quebrado e de profundidade. E ainda assim, depois de pronta, eu achei que poderia ter ficado melhor.
Quanto as degustações, nada mais são que a versão PDF dos livros. Depois de pronta a versão que vai para a gráfica, separo um capítulo ou conto e preparo o arquivo que vai ser disponibilizado ao público. É literalmente a cópia do que vai sair em papel.
Dos livros já lançados, ou aqueles que ainda estão por vir à luz, publicados por sua editora, qual você tem especial apreço?
Me perguntaram algo semelhante em outra entrevista que acabei de responder hoje (risos) e é difícil responder a isso, porque todos os projetos em que você participa tão diretamente acabam sendo especiais. Para determinar um preferido é impossível, mas poderia destacar “Insanas... elas matam!”, “Cursed City”, “Time Out”... ah, agora mesmo vou falar todas... Pô, isso não vale.
Embora de forma um pouco lenta, ao menos aqui no Brasil, os formatos digitais estão aos poucos se tornando populares. Como você encara essa mudança? Você acredita que haverá uma completa substituição do tradicional livro de papel pelos e-Book readers? Como a Editora Estronho aborda essa questão? A Editora Estronho pretende lançar algumas obras do seu acervo em formato digital?
Não acredito na total substituição. Pessoas que são realmente apaixonadas por leitura tem o prazer de segurar um livro em suas mãos, ver a capa, cuidar de sua estante, de sua coleção. E que graça tem uma coleção em arquivo? Sumir, não vai sumir. Pode haver uma queda considerável nos próximos anos, mas o papel ainda fica.
Nós pretendemos disponibilizar nossos títulos em formato eletrônico sim, mas ainda estamos esperando aparecer algo realmente confiável em termos de segurança. Troco ideia com alguns editores de vez em quando sobre o assunto e vamos esperando...
Gostaríamos de saber sobre a tua experiência na modalidade móvel, corpo-a-corpo, de vendas. O Estronhomóvel tem conseguido satisfazer as tuas expectativas?
Depende do ponto de vista. Se formos analisar somente o lado das vendas diretas ao público, a coisa ainda está devagar. Já no ponto de vista da divulgação, tanto do site Estronho quando da Editora, os resultados estão começando a aparecer. Número de visitas aumentando, pessoas querendo conhecer nosso trabalho, e principalmente mostrando que pode existir um contato mais direto editora/leitor ou autor/leitor. Grande parte dos encontros rendem ótimas horas de bate-papos, ideias para projetos, amizades e troca de informações. Tanto você pode receber críticas mais diretas e olho no olho, quanto pode também ter a oportunidade de falar melhor sobre as obras publicadas, tirando dúvidas e incentivando o leitor a experimentar novos temas, que às vezes ele simplesmente ignorava na hora de escolher um livro para comprar online ou mesmo na livraria.
O Estronhomóvel também tem servido aos nossos parceiros como meio de divulgação e venda de seus títulos. Já ouvi de participantes do encontro, que em determinada oportunidade estavam sem dinheiro para comprar tal livro no carro, mas como puderam conhecer melhor a obra, compraram online em outra ocasião.
Você participou este ano, pela primeira vez, do Fantasticon, na sua 5ª versão. O que você achou do evento? Você tem alguma ponderação a fazer em relação a melhoramentos para os próximos anos?
A única reclamação, que não é só minha, foi em relação às vendas. Aconteceu por exemplo, na hora do lançamento do livro da Georgette Silen, da livraria responsável pelo evento não ter os livros à venda, pois haviam deixado na loja física deles. A sorte é que tínhamos exemplares no carro e conseguirmos contornar a situação, mas ainda assim perdemos parte das vendas, até que descobrimos o que estava acontecendo.
Em relação ao evento em si, gostei bastante. O Silvio nos deu a oportunidade de falar um pouco sobre o trabalho da Estronho, representando inclusive algumas editoras pequenas, durante a palestra sobre o mercado editorial. Nossa realidade é bem diferente das outras editoras participantes e foi bom deixar isso claro para o público.
Quando e como você conheceu a literatura fantástica?
Quando mais jovem li alguns livros de literatura fantástica, mas não fazia ideia de que existia essa “separação”. Só fui ter consciência disso quando abri espaço para a publicação de contos no Estronho. E me interessei mesmo a partir de 2004, quando comecei a ler mais e a escrever também.
Como você encara a Literatura Fantástica? Você acha que deve ser puro entretenimento, no sentido de se investir esforços na história bem contada ou você acha que há a necessidade, como alguns críticos apregoam, de haver mais cuidado com o estilo, algo próximo da literatura mainstream?
O grande problema dos nossos “críticos” é a falta de bom senso e tolerância. A questão é que não existe meio termo para esses caras. Se eles encontram uma pequena falha no texto, detonam todo o resto. Alguns até fazem questão de querer humilhar o autor. Se acham os fodas, mas se você pega os textos que eles mesmos escrevem e analisa friamente, na maioria das vezes você vai encontrar uma excelente estrutura, um português próximo do perfeito, tudo bonitinho, certinho... mas sem emoção nenhuma. Sem originalidade, sem nada que te prenda a leitura. Sem tesão! É como se você estivesse lendo um livro didático ou uma matéria de uma revista qualquer. Muita técnica e pouquíssimo entretenimento.
Outro dia um autor que estava em um de nossos eventos, disse uma coisa certíssima: estão confundindo verossimilhança com realismo. Querem realismo em literatura fantástica.
A questão é que você tem que levar em consideração cada caso. Eu não posso exigir, por exemplo, de novos autores, que fiquem presos a detalhes ridículos como calcular a velocidade correta de uma nave espacial para que ela chegue em determinado planeta X, no tempo que você disse que ela chegaria. Não posso tirar o valor de um texto de LITERATURA FANTÁSTICA porque o autor exagerou no salto de uma criatura, ou permitiu que um engenheiro a bordo de uma nave que havia caído, e era pilotada por um curupira, conseguisse construir outra, aproveitando algumas peças da primeira. Po*.*! Era um curupira pilotando a nave e o sujeito vai implicar com um engenheiro reaproveitando peças? É FICÇÃO! LITERATURA FANTÁSTICA! Não gostou? Vai ler revista científica.
Outro ponto é a falta de coerência. Pessoas que tentam mostrar que sabem muito e se enrolam. Outro exemplo (spoiler): Uma antologia temática, que se passa em uma cidade amaldiçoada, cheia de mistérios e fatos sobrenaturais acontecendo a todo momento. A “resenhista” disse não ter visto verossimilhança em um conto em que a protagonista, possuída por um demônio, assassina uma pessoa e em seguida pede socorro ao dono do estabelecimento, fingindo nada ter com o fato, e as pessoas simplesmente aceitam. Ao mesmo tempo, tal “resenhista” diz que o melhor conto da antologia é um em que um dragão tatuado no braço de uma lutadora, sai do braço, tornando-se real e vai lutar contra zumbis que tomam a cidade. Em seguida o dragão retorna ao braço da lutadora. Tá... uma tatuagem que cria vida pode e uma pessoa supostamente possuída, que mata e o dono do estabelecimento, que já está acostumado com as coisas estranhas que acontecem na cidade, aceitar o fato, não pode?
É de fazer cair o c... da bunda.
Fico imaginando como Jules Verne sofreria nas mãos desses caras.
Mas enfim, eu acho que o principal objetivo da leitura é entreter. Eu sempre vou dar mais valor a originalidade ou a oportunidade que ganhei de um autor, para viajar na história contada, do que na maldita verossimilhança exagerada (ou no caso, realismo), pregada por uns e outros. E o leitor que fique com sua escolha. Se divertir ou brincar de crítico.
Agora, se você tem um conto ou romance que não é focado no fantástico... aí sim você tem que tomar cuidado com a “mardita”. Brinque à vontade de procurar falta de verossimilhança e seja feliz. Mas em literatura fantástica... nem venha conversar a respeito, porque comigo estará perdendo seu tempo.
Em nosso site discutimos muito a questão da sensibilidade excessiva dos escritores amadores em relação às críticas. É fato perceber que o ego do escritor amador ou profissional é enorme. Como você encara as críticas que lhe são atribuídas como escritor e quais os principais aspectos que você costuma criticar nos textos que você recebe como editor?
Como cheguei a comentar antes, eu já recebi muitas críticas a respeito de meus textos. Alguns foram recusados, em outros eu mudei algumas coisas e fui aprovado. E em outros que foram publicados também recebi críticas boas e ruins. Fato: não tem como agradar todo mundo. Primeira coisa que você tem que meter na cabeça se não quiser sair chorando pelos cantos. Seu texto pode ser o melhor dos últimos tempos na opinião de um leitor e ser mediano na opinião de outro. E que fique claro que estou falando de leitores e editores que tem o compromisso único de melhorar o seu texto. De te ajudar de verdade e não simplesmente mostrar que é foda e sabe tudo, e expor suas falhas ao público de puxa-sacos. Quem quer ajudar, te chama no canto e aponta seus erros. Pronto. Simples e indolor.
E mesmo assim você não tem que aceitar 100% das críticas, mesmo que venham de uma pessoa superexperiente e bacana. Pondere. Seja autocrítico e tente enxergar seu texto como se fosse de outra pessoa. “Isso que ele apontou, faz sentido?”, “Preciso mesmo mudar esse título?”, “É... estou entregando o final nesse trecho aqui...”. Argumente com você mesmo e chegue às suas próprias conclusões. Mas não seja teimoso também. Se foi provado que A não é o mesmo que B, ou que você utilizou por exemplo, duas palavras seguidas que tem o mesmo significado, não adianta você achar bonitinho. Acate a sugestão.
Quanto aos textos que eu critico, sigo aquilo que falei antes. Me preocupo com o entretenimento em primeiro lugar. Vejo também se está de acordo com a proposta e claro se está bem escrito. E ai cabe uma observação interessante. Algumas vezes a gente barra um texto por estar excessivamente bem escrito. Estranho? Explico... um dos objetivos da editora é atingir um público jovem e também um público que está começando com literatura fantástica. Se você coloca um texto ao estilo Machado de Assis e José de Alencar, que você tem que ler ao lado de um dicionário, não é exatamente um belo incentivo a leitura para esse tipo de público. Se você quer se candidatar a uma vaga na Academia Brasileira de Letras... vai com Deus!
Mais uma vez é preciso o bom senso. Não adianta você querer mostrar que é um profundo conhecedor da língua. É preciso saber usá-la na hora certa.
Diante da quantidade grande de entrevistas que você tem dado durante estes dois últimos anos, gostaríamos de saber se, atualmente, você prefere falar da sua condição de editor ou escritor? Qual te fala mais alto? Em qual situação em relação a melhoramentos você acha que tem mais para aprender?
Não tenho preferência. Gosto de falar das suas funções numa boa.
Eu tenho a aprender em tudo. E isso não é falsa modéstia. Eu comecei a ler em 2004 e conheço muito pouco ainda de literatura. Estou sempre tentando ler de tudo um pouco. Dos clássicos até as coisas mais loucas possíveis. Procuro detalhes nas diagramações de outros livros, revejo nossos lançamentos para tentar corrigir os erros. Me aconselho com aqueles por quem eu tenho respeito na área. To aprendendo ainda. Arriscando e aprendendo. Tem hora que dá errado... bem errado. (risos).
É cediço que a Literatura Fantástica possui como subgêneros o Terror, a Ficção Científica e a Fantasia. Qual desses subgêneros a editora Estronho mais publica?
Teoricamente não temos restrição ou preferência a nenhum subgênero. Aliás, nem mesmo a publicar apenas literatura fantástica. Estamos com projetos engatilhados que fogem do contexto do fantástico. O que acontece é que por coincidência, seja pelo aparecimento de bons originais ou ideias, seja pelo destaque espontâneo dado pelos leitores, o terror está mais presente em projetos que publicamos e que ainda vamos publicar. Mas não é uma preferência da editora. Nossa preferência na verdade é publicar aquilo que gostamos e acreditamos. Seja dentro ou fora das modinhas. Geralmente fora, mas pode haver uma ou outra escorregada.
Ufa... falei (escrevi) pra cac... Desculpem ae! (risos)
Abraços horripilantes...


Que bom que gostou Kyanja, é muito bem vinda a Irmandade ^^
Tânia Souza
rafa
kyanja Lee
karin carteri
Duda Falcão
Adoro a simplicidade, a segurança e a descontração das suas palavras...
Faz até uma entrevista ficar divertida (bem, nem sempre eu tenho saco para ler entrevistas, essa é que é a verdade, mas esta aqui eu li num "escorregão" ^^).
Bjsss,
Mandinha
Amanda Reznor
Só podemos torcer e contribuir com a continuidade e sucesso do que tem sido feito até agora e para o que virá.
Ah! E como sempre. Bem sincero. Do jeito que tem que ser.
Carolina Mancini
Parabéns pela entrevista!
Flávio de Souza
Tânia Souza
Sobre a verossimilhança , falta a galera entender a diferença. Existe a análise de verossimilhança que compara o enredo de um texto com a realidade física, externa a ele. Para mim, isso é bobagem. Por mais realista que uma obra de ficção se pretenda, nunca deixará de ser isso: ficção. Mas há a análise da verossimilhança interna. Regras que o próprio autor atribue ao texto. Uma lógica própria. E quando o autor transgride suas próprias regras que a história não consegue convencer o leitor. Mas assino embaixo: quer realismo na literatura fantástica? Procurou no lugar errado.
Walter Tierno
Victor Meloni
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