Contos

Da chuva, a sombra nasce - Carolina Mancini

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Era cinza a marca d’água

Na parede concreta e absoluta.

De luto se vestia, amarga,

Sem olhos na estrutura bruta.

 

No caminho - a ir e vir ao léu -

Que faço e fazia, me remeteu

Seu semblante na parede aos céus

Da estrutura cinza onde se recolheu.

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O Papel de Parede Amarelo - Charlotte Perkins Gilman

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É o amarelo mais estranho que existe, esse papel de parede! Faz-me pensar em todos os amarelos que já vi - não os tons bonitos dos botões-de-ouro, mas as coisas velhas, ruins e podres.

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Nota - Carolina Mancini

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Não há lembrança alguma que poderia, o pesar, roubar-me.
Nem mesmo o olor da flor mais frágil.
Nem mesmo a voz rouca da garganta seca de meus ancestrais fantasmas.
A vela não seria capaz, da alcova, iluminar toda esta espectral paisagem.
Minha mente cala-se no vácuo da noite, na calada do vento da montanha.
Na face rósea de Vênus, eu vi rolarem as pérolas deste amanhecer.

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Olhos Sedentos - Carolina Mancini

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Seus olhos eram sedentos de vazios. Ela piscava freneticamente ao encontro de muitas coisas, quadros complexos, paisagens movimentadas, móveis em excesso, luzes coloridas. Seus olhos queriam calmaria, como a calmaria quer tempestade, por isso, nos apaixonamos.

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A Invasão de Santerez - Henry Evaristo

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O telefone tocou por volta das duas horas da manhã de domingo. A policial Marian Montese, grávida de seis meses, atendeu. Devia ser a décima chamada naquela madrugada e ela esperava de todo o coração que fosse apenas mais um dos costumeiros trotes passados pelos filhinhos de papai que estavam em férias na cidade. Naquela época do ano, quando as aulas findavam na capital.

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