Invasores de Corpos

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       Finalmente o que era inevitável aconteceu, a Terra foi invadida por uma raça superior. Luzes explodiram em todos os cantos do planeta, dispersando milhares de criaturas que dominaram os corpos dos humanos que estavam em seu caminho. E, apesar disso, somente algumas pessoas tiveram o vislumbre do que acabara de acontecer com a Terra. Os humanos foram surpreendidos em um estratagema bem engendrado, pois ao contrário do que se pensava, tais criaturas conheciam a mente e os costumes de seus hospedeiros.

       Os CRACKS começaram invadindo os chefes de estados dos governos para assegurar que deteriam o poder para garantir a conquista da Terra. Só então, invadiram os corpos dos cidadãos, que, nem em seus maiores pesadelos, poderiam imaginar que os seus governantes eleitos, agora, eram criaturas de outro mundo.

       Um Crack tem a aparência de uma névoa de luz, mas ele só viveria na atmosfera terrestre, inundada por raios ultravioletas, se conseguisse um hospedeiro que lhe servisse como um suprimento de energia (eles explodem sob a Luz do Sol). Os humanos são excelentes baterias vivas e a forma de vida chamada de Crack invade seus corpos a fim de se alimentar de sua energia vital.

       Bem, alguém poderia perguntar como eu sei de tudo isso? A verdade é que eu não fui abduzido, também nem sei ao certo se o termo correto para tal situação é este, mas o que sei é que uma vez que um Crack entra num humano, o cérebro deste se paralisa.

        De fato, a humanidade caminhou para esta realidade...

       Digo isso (sem ser condescendente com minha espécie), pois o animal que nós conhecíamos como homem, tinha mais características animalescas que propriamente humanas. Vocês deveriam saber que nós quase destruímos o nosso Planeta no século em que vivo, as temperaturas estão alarmantes, faltam água e alimento em alguns continentes e isso graças à ganância e ânsia por poder das nações dominantes. Mas eu também sinto ao dizer isso, a centelha da humanidade se apagou e os meus queridos também foram com ela.

       Por isso esse relato, devo-lhes contar o que aconteceu, pois, na pior das hipóteses, num futuro não muito distante, eu certamente acabarei sucumbindo a esta tão temível realidade.  Eu estou vivo, não graças aos Cracks, é óbvio. No dia que esses ETs invadiram a terra, os Flyers também aportaram aqui.

       Fico feliz ao dizer que meu Flyer se chama Loide, eu admito que tenho uma certa culpa por esta escolha, é que um dia desses em que estávamos vendo um filme do Debby e Loide, ele gostou tanto do personagem que disse que queria ser chamado assim. Ah, não! Não se preocupe, eu não sou seu hospedeiro, Loide me salvou de um Crack que queria me usurpar. Quando um Flyer envolve um ser, ele apenas oculta aquele ser do Crack.

       No planeta de onde vieram, eles eram inimigos naturais, enquanto o Crack matava e roubava a vida de seus hospedeiros, os Flyers lutavam desesperadamente para salvá-los, eles mantêm uma vida simbiôntica com os seus hospedeiros e foi assim que fui salvo.  Graças ao Loide, os Cracks não sabem da minha existência e de meus oitos amigos que estão escondidos neste galpão. Temos conseguido comida e água graças a eles, e até agora, a situação está sob controle, mas até mesmo os Flyers não são infalíveis, eles podem nos ocultar, mas não podem calar o som de nossas respirações e principalmente de nossos pensamentos. Se um Crack se aproximar o suficiente de um humano, os seus pensamentos o denunciam. Os pensamentos são como ondas que reverberam na mente de um Crack.

       Os Cracks são névoas de energia. Os Flyers assemelham-se às arraias. Sim, são como arraias brilhantes que nos envolvem com suas asas e nos ocultam, digo, nos tornamos invisíveis. Temo pelo Loide, ele está muito enfraquecido. Ele se alimenta de vitamina D e sintetiza ela de mim, mas nós não temos tido a chance de aparecer ao sol. Uma família de Cracks está morando em nosso prédio e eu estou com muito medo de sair do galpão para tomar meus banhos de sol diários.

       Ontem, meu amigo Sheldon foi usurpado. Um Crack conseguiu ler seus pensamentos e matou o seu Flyer, tomando o seu corpo. Sinto muito por Sheldon, mas sinto mais por mim e por meus sete amigos, não sei o que virá a seguir...

       Amanhã terei que alimentar o Loide, ele está faminto e eu preciso do meu amigo; talvez mais que ele de mim.

Comentários   

#6 Rodrigo Maia » 10-09-2011 04:04

Realmente o formato de relato caiu com uma luva para este excelente conto,achei a narrativa muito natural e fluída,show de bola !
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Rodrigo Maia

#5 Alexandre Ribeiro » 09-09-2011 03:16

Lino, Tânia, obrigado pelo incentivo e pela atenção. Flávio, meu caro, legal você falar sobre o tom melancólico, na verdade eu nunca tinha pensando sobre isso, depois você me fala mais sobre essa impressão que teve, eu queria saber mais sobre isso. Thasyel, obrigado pelas dicas e pelo olhar apurado sobre o meu texto. Bem, quando eu escrevo, para ser sincero, vou escrevendo conforme as imagens que brotam em minha mente, a verdade é que eu penso muito nos sentimentos do personagem, nas suas razões, emoções, motivações. Geralmente, não gosto muito de encerrar idéias também, bom, isso dá margem para que os leitores imaginem mais sobre a história, também não sei ser muito descritivo, pois sou muito preguiçoso, rsrsrsrs. Bom, mas o gênero literário conto, geralmente encerra uma narrativa curta, que na maioria das vezes não se aprofunda demais nos detalhes... Tá bom, eu sei, tô tentando me safar, rsrsrsrs. Fico com a primeira premissa, é a mais justa, rsrsrs... Mas eu gostei da visão que teve, você tem um feeling muito apurado, isso vai te ajudar muito na sua jornada como escritora, uma história precisa e deve ser consistente, pois sempre há uma razão nas ações de um personagem, afinal elas são baseadas em suas intenções, sensações e motivações. Como escritor, eu não consigo me desassociar dos sentimentos do personagem, por isso achei bacana você ter falado sobre ele estar com a mente desorganizada, a ideia era passar a aflição e a fragilidade da situação em que ele se encontrava, pois, a qualquer momento, ele seria riscado da humanidade, só restaria então dizer tudo o que sabia sobre os invasores. Mas eu agradeço muito a todos pelos comentários, e a você, principalmente, seria ótimo se pudéssemos ter mais olhares críticos sobre os nossos textos, nós precisamos nos aperfeiçoar, a crítica literária é algo indispensável ao nosso desenvolvimento . Grande abraço a todos.
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Alexandre Ribeiro

#4 Thasyel Fall » 05-09-2011 18:50

Eu curti a idéia, mas estranhei a repetição de algumas coisas no texto, tipo a caracterização dos Cracks, talvez a intenção seja mostrar que o protagonista em uma situação critica já não tenha uma mente muito organizada... ah, eu queria saber como foi que eles chegaram a terra, a luz veio do nada, ou de outra dimensão? Pq não ficou claro, e pq eles não explodiram assim que foram libertados? Devia estar de noite eu suponho... acho que talvez uma estruturação melhor da idéia seria necessária, é uma história que promete, apesar da idéia de hospedeiros já ter sido muito utilizada, tudo depende de como você apresenta :-) ... Parabéns pelo conto..continue mandando ver...
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Thasyel Fall

#3 Flávio de Souza » 05-09-2011 15:35

Meu amigo Joel, desnecessário dizer que o conto está muito bem escrito, como de costume. O tom melancólico, próprio dos teu textos, está mais uma vez presente . Como pedem a T e o Linão, continue com a saga dos Invasores. Um grande abraço!
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Flávio de Souza

#2 Tânia Souza » 05-09-2011 15:09

Realmente, ainda que o conto esteja completo em si, o universo apresentado deixa muitas possibilidades. Ótimo conto.
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Tânia Souza

#1 Lino França Jr. » 05-09-2011 14:36

Bom conto em forma de relato. Dá vontade de ler mais. O conto poderia ser a introdução de uma história maior. Parabéns.
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Lino França Jr.

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