Literatura Fantástica

O Mel Silvestre

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Tinha o gosto de alguma coisa.  De  que seria?  O contador não conseguia apurar.  Certamente de resina de frutas ou eucalipto.  Por igual motivo, o denso mel deixava na boca  um ranço acre.   Mas,  em compensação, que perfume!

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O maior de todos os inimigos

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Havia dez minutos que ele estava de pé, totalmente inerte. Sua garganta já não mais podia pronunciar qualquer som, por mais que se esforçasse. Estava estático. Uma pequena gota de suor, gelado, escorria pelo canto esquerdo de sua testa, rígida pelo pavor que o dominava. Seu coração palpitava, mais rápido do que o de costume. Sua respiração era ofegante, porém silenciosa. Não se permitia fazer qualquer ruído.

 

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A Destilação Absurda

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Tal como todas as manhãs, Filipe Freire saiu cedo de casa, ainda o sol não raiava sobre Urbania. Debaixo de um dos braços, um banco dobrado, do outro, o farnel. Havia-se despedido da esposa com um beijo na testa e dos filhos a dormir com um olhar terno, para agora dar os bons dias à luz que penetrava entre os prédios.

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A Moeda de Bronze

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Ao cair da noite,  lá estava o homem cego a tanger a campainha. Decerto que não esperava milagre maior que o de receber a moeda prometida. O gentil-homem o fez entrar na casa e pô-lo sentado numa cadeira confortável.  Proclamou  umas palavras em latim e impôs as mãos sobre  olhos do pobre homem.

 

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Os Sete

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Todos eles estavam sentados à mesa comendo calmamente, exceto a luxúria que se encontrava ausente, sua ausência era quase palpável, já que ela não costumava atrasar-se, era sempre a primeira a chegar e a última a sair, alias, nenhum deles costumava atrasar-se.

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Guia prático da sobrevivência, ou a anatomia da vingança...

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— Ai... Merda de bolha! – sentou-se de ladinho, apalpando o traseiro como se acometido por uma epidemia de furúnculos. – Sorry, pensei alto – continuou constrangido. – Na verdade... A bruxa não é uma bruxa; não, não, quer dizer, quero dizer, não exatamente... A bruxa, na verdade... é uma bruxa...Literalmente.

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A Maçã

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A Maçã

Não tendo ouvido bem, Hinchcliff levantou a cabeça. Até então tinha estado absorto a contemplar sua borla de estudante, atada com um cordão às calças da maleta de viagem, como um sinal exterior e visível da sua posição pedagógica recém-adquirida; deixara-se ficar imerso no deslumbramento que lhe causavam aquela borla e as agradáveis perspectivas que ela lhe desvendava, Hinchcliff acabara de matricular-se na Universidade de Londres e ia ocupar um lugar de segundo assistente no Colégio de Holmwood, situação essa bastante invejável. Fitou, intrigado, o seu companheiro de viagem.

 

 

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Castigo Eterno

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Nunca esperei encontrar nada após a morte. Na verdade nunca fui muito religioso enquanto vivo, de forma que quando comecei a perceber aquele túnel se formando à minha volta, com o distante ponto de luz branca no seu final, ainda tentei racionalizar o fato. Óbvio que ainda havia resquícios de vida em meu cérebro, e aquilo tudo não passava dos efeitos de falta de oxigenação de um corpo moribundo, próximo de se desligar completamente. Mas a sensação era real demais! Comecei a duvidar sinceramente deste meu ceticismo!

 

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O Filho

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É um poderoso dia de verão nas Missões, com todo sol, calor e calma que a estação pode proporcionar. A natureza, plenamente aberta, sente-se satisfeita consigo mesma.

Com o sol, o calor e o calmo ambiente, o pai abre também o seu coração à natureza.

― Tenha cuidado, garoto ― diz ao filho, condensando nessa frase todas  recomendações, e o seu filho  a  entende perfeitamente. 

 

 

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O bebê de pano

 

A mendiga carregava uma boneca rota, careca e do tamanho de um bebê de pano. Mimava a boneca pelas ruas e falava com ela. Meu bebê. Dizia. Só meu, shiii, shiii... Não chora! Shiii...

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