Noite Rubra

(1 voto, média de 5.00 em 5)

Já era tarde da noite, a lua cheia começava sua descida pelo céu noturno. A noite estava fria e úmida, as nuvens no céu que pareciam contornar a lua estavam vermelhas mostrando que pela manhã uma chuva poderia cair.

Eu como em todas as noites nos últimos dois meses, desde que uma estranha insônia tomou conta de mim, logo após a trágica e misteriosa morte de minha mulher, estava no telhado de meu sobrado de três andares observando a monótona cidadezinha dormir até que o sol ameaçasse aparecer e junto com ele meu sono chegasse.

Todas as noites eram iguais. Nada acontecia nas madrugadas, mas mesmo assim adorava apreciar a vista do alto, a forma como a luz do luar refletia nos vitrais azuis e vermelhos da catedral, a linda visão da praça da igreja com sua fonte que mesmo durante a noite funcionava e era iluminada por uma lâmpada dentro do jato principal de água fazendo parecer que o sol era jorrado por ela. Via a luz da casa de seu Geraldo sempre se apagando às duas da manhã via também a luz de Seu Manoel, o padeiro, se ascendendo as cinco da manha junto com a chegada de Seu Firmino trazendo o leite de sua fazenda ao lado para entregar a Seu Manoel, que venderia logo mais tarde junto com seus pães.

Mas tudo isso mudou cinco dias antes, ou melhor, cinco noites. A aparição de uma linda mulher mudou por completa a noite. Depois de sua chegada as minhas noites se resumiam apenas aos três minutos em que a via andar pelas ruas da cidade. Não sei seu nome, há tempos que não converso com ninguém. Tudo que sei sobre ela é o que vejo.

Sai sempre da casa de Seu Geraldo às duas da manhã, o velho sofre de uma doença e precisa de atenção quase que em tempo integral. Sei também que é linda. Sua pele tão clara como o mármore esculpido da fonte, seus cabelos vermelhos eram tão belos que me lembravam o pôr do sol, cena esta que não via há algum tempo. Seus olhos verdes escuros davam um ar sexy de mulher a seu rosto contrastando com as delicadas sardas nas bochechas bem abaixo do olho que davam um ar de inocência infantil.

O mero segundo em que vislumbrava toda sua perfeição era o bastante para despertar algo em mim tão forte, tão intenso, que nem consigo descrever essa sensação e muito menos dizer se já senti isso antes.

Hoje ela vinha saindo da casa de Seu Geraldo com uma beleza enlouquecedora. Usava um sobretudo verde que realçava de maneira incrível seu rosto e pescoço delineados por aqueles ondulados cabelos ruivos que quase lhe tocavam a cintura, e usava uma bota de couro preto até os joelhos.

Enquanto ela atravessava a praça aquela sensação tomou conta de mim, minhas mãos tremiam, minha garganta estava seca dando a impressão de que se esfarelaria a qualquer momento. Bebi um gole de vinho, a única coisa que conseguia engolir naqueles tempos. Quando ela atravessou a rua um calafrio percorreu toda minha espinha. Algo estava errado.

No alto da torre do sino, uma sombra espreitava. Olhava direto para minha deusa, Por mais que estivesse longe e escuro eu conseguia, de alguma forma, ver o brilho em seus olhos e o sorriso de prazer desenhando em seus lábios. Nunca vi aquele homem na cidade. O luar refletia fantasmagórico na pele dele, seus olhos eram vítreos, e os lábios de um vermelho intenso.

Sumiu! Distrai-me por uma fração de segundo e ele não estava mais lá. O desespero tomou conta de mim. Procurei frenético pela minha divindade dos cabelos vermelhos. Ela andava calma pela rua, como se não houvesse lugar mais seguro. Mas eu sabia que aquele homem a machucaria.

Achei! Ele vinha correndo por um telhado com uma sutileza sobrenatural, não era possível ouvir nenhum barulho vindo de seus passos. Ela corria perigo, não sei qual, mas corria.

Saltei. Foi algo tolo, por impulso. Pulei do terceiro andar direto para rua. A calçada afundou com o impacto de meu corpo ao solo, mas eu sem qualquer explicação plausível estava ileso.

Minha musa dobrava a esquina dois quarteirões à frente, quando o desconhecido também saltou do telhado em que estava e veio em minha direção.

— O que pensa que está fazendo? – vociferou ele, mostrando longos e pontiagudos dentes.

— Tentando salva-la! – minha voz saiu em um tom mais feroz que pretendi. Algo nele me deixava tenso, como se disputássemos pela garota como animais disputam por território.

— Da próxima vez tente usar uma desculpa melhor – e me acertou um soco.

Voei por alguns metros, pela intensidade do golpe deveria estar com uma ou duas costelas quebradas, mas novamente nada aconteceu comigo.

O rapaz havia desaparecido. Ela inda corria perigo. Segui os rastros do doce aroma de seu perfume que me levaram a uma pequena gruta, poucas dezenas de metros da igreja onde uma santa foi avistada no passado.

Entrei e lá estava ele com ela em seus braços, levando a boca em direção ao delicado pescoço dela. Uma ira incontrolável tomou conta de mim. Com uma velocidade quem nem sabia que tinha fui na direção daquele monstro e com uma força desumana empurrei-lhe contra a parede da gruta.

Peguei a mulher em meus braços, seus cabelos caiam em meus braços formando uma cascata de ondas escarlates. Ela estava viva, e acordada, mas não sentia medo. Muito longe disso, ela parecia em um estado de profundo frenesi.

Meus olhos se encontraram com os dela. E nesse momento toda a ira se foi e aquela sensação estranha voltou a mim e agora mais forte que nunca. Beijei sua face, uma de minhas mãos inconscientemente desceu até o seu busto, eram deliciosos, volumosos, firmes e macios. Não conseguia parar, algo parecia controlar o meu corpo. Beijei sua boca, lábios suaves e doces. Com os lábios ainda em sua macia pele desci pela sua face indo até o seu pescoço.

Mordi! O sangue dela inundou minha boca, o sabor era incrível, é impossível descrever o doce, o azedo e o amargo tudo misturado formando um sabor magnífico. Engoli o primeiro gole, o sangue pareceu ir da ponta dos dedos da minha mão a ponta dos dedos do meu pé.

Solvi de todo o sangue com uma voracidade animal. Quando o seu sangue por fim acabou, aquela sensação se foi também.  Quando terminei, joguei aquele corpo sem vida no chão. Todo o sentimento que sentia por ela pareceu que nunca existiu. Mas lá no fundo algo me incomodava “Por que fiz isso?” “O que eu sou?”

Percebendo minha duvida o estranho veio até mim:

— Você é novato?

Levantei minha cabeça apenas o suficiente para poder vê-lo.

— Como assim?

— Você foi transformado há pouco tempo – respondeu percebendo de que nada eu sabia – Você é um vampiro. Pelo que percebo essa é a primeira vez que se alimenta. È normal ficar confuso.

— Mas… eu… – estava difícil formar frases.

— Há quanto tempo dorme durante o dia? Há quanto tempo não come?

 

Comecei a entender o que ele dizia. E entender os fatos estranhos que apenas ignorei devido ao trauma de dois meses atrás.

 

—Faz dois meses. – por fim respondi – Mas se sou realmente um vampiro como consegui ficar todo esse tempo sem tomar sangue?

— Nosso metabolismo funciona quase como o de cobras, podemos ficar até um ano e meio sem alimento.

— Mas por que agora? Por que com ela?

—Bem! Nós vampiros temos vantagens sobre todos os humanos. Você deve ter percebido suai incrível força quando me socou, percebeu sua velocidade quando correu até mim. Percebeu também que todos os nossos sentidos são perfeitos, você me viu na torre mesmo estando escuro e longe, você conseguiu sentir o cheiro de seu perfume mesmo ela já não estando mais perto, você também sentiu cada parte do corpo dela que tocou com um prazer imensurável, e com certeza provou do nosso incrível paladar ao se alimentar do sangue de sua vítima. E o grande prêmio de todos, a imortalidade nada a não ser prata e água benta pode nos matar. Somos os seres perfeitos.

Acontece que nada disso vem de graça, temos um preço a pagar. Primeiramente não podemos ver a luz do sol, e o que mais afeta nossas vidas o que nos mata por dentro o que realmente nos transforma em monstros é o fato de que só atacamos os que amamos não importa quem seja se você realmente o ama você o matara, essa é a verdadeira maldição de um vampiro.

E ainda completou:

— Mas não se preocupe, com o tempo nós conseguimos controlar a sede e podemos aproveitar mais. Se é que você me entende.

—Então quer dizer que quem me transformou me amava? – um estalo ocorreu em minha mente – Quer dizer que minha esposa não morreu? Quer dizer que ela me transformou?

— Se sua esposa não morreu eu não sei. Mas, quanto ao falto dela ou outra pessoa que te amava lhe transformar é impossível. Ninguém sobrevive a um ataque de vampiro, portanto você não foi atacado. E sua mulher não pode lhe ter transformado, pois só existem vampiros homens. É mais provável que quem matou sua mulher tenha lhe transformado.

—Por que existem apenas homens?

—Com décadas, séculos, milênios vivendo de sangue. Nosso corpo acaba produzindo uma substancia tóxica, que se acumulada por muito tempo acaba nos queimando de dentro pra fora. Então para não morrermos, somos obrigados a expelir essa toxina e o único lugar onde ela pode ser expelida é no corpo de um homem. E quando em contato com o corpo humano essa substancia o transforma em um vampiro.

 

Ele ficou calado por um tempo observando minha reação, a maneira como digeria os fatos, até que por fim falou:

— Como você consegui ficar dois meses sem comer, ficando acordado durante a noite e dormindo durante o dia sem desconfiar de nada?

— Achei que tudo isso foi por causa do trauma da morte de minha mulher, minha mente estava uma bagunça, na verdade apenas piorou, acordava e sempre encontrava um prato e algumas panelas na pia e achava que tinha cordado durante o dia e comido e não lembrava. Quanto às noites em claros, sempre tive insônia e pensava que ela apenas tinha se agravado.

— Como alguém pode ser tão distraído e desleixado assim. Agora que te expliquei tudo tenho que ir. Talvez a gente se vê no decorrer do tempo.

 

E antes que pudesse perguntar seu nome, ele desapareceu.

 

E agora aqui estou eu, vinte anos depois em uma metrópole, observando do auto de edifícios pessoa passarem apressadas de um lado para o outro. Mal consigo ver as estrelas com toda a iluminação aqui, ainda mais hoje que por causa das nuvens e também, não sei ao certo, da poluição o céu esta vermelho novamente.

           E eu como na primeira noite estou a esperar minha mais nova paixão.

 

 


Normal 0 21 false false false MicrosoftInternetExplorer4

Já era tarde da noite, a lua cheia começava sua descida pelo céu noturno. A noite estava fria e úmida, as nuvens no céu que pareciam contornar a lua estavam vermelhas mostrando que pela manhã uma chuva poderia cair.

Eu como em todas as noites nos últimos dois meses, desde que uma estranha insônia tomou conta de mim, logo após a trágica e misteriosa morte de minha mulher, estava no telhado de meu sobrado de três andares observando a monótona cidadezinha dormir até que o sol ameaçasse aparecer e junto com ele meu sono chegasse.

Todas as noites eram iguais. Nada acontecia nas madrugadas, mas mesmo assim adorava apreciar a vista do alto, a forma como a luz do luar refletia nos vitrais azuis e vermelhos da catedral, a linda visão da praça da igreja com sua fonte que mesmo durante a noite funcionava e era iluminada por uma lâmpada dentro do jato principal de água fazendo parecer que o sol era jorrado por ela. Via a luz da casa de seu Geraldo sempre se apagando às duas da manhã via também a luz de Seu Manoel, o padeiro, se ascendendo as cinco da manha junto com a chegada de Seu Firmino trazendo o leite de sua fazenda ao lado para entregar a Seu Manoel, que venderia logo mais tarde junto com seus pães.

Mas tudo isso mudou cinco dias antes, ou melhor, cinco noites. A aparição de uma linda mulher mudou por completa a noite. Depois de sua chegada as minhas noites se resumiam apenas aos três minutos em que a via andar pelas ruas da cidade. Não sei seu nome, há tempos que não converso com ninguém. Tudo que sei sobre ela é o que vejo.

Sai sempre da casa de Seu Geraldo às duas da manhã, o velho sofre de uma doença e precisa de atenção quase que em tempo integral. Sei também que é linda. Sua pele tão clara como o mármore esculpido da fonte, seus cabelos vermelhos eram tão belos que me lembravam o pôr do sol, cena esta que não via há algum tempo. Seus olhos verdes escuros davam um ar sexy de mulher a seu rosto contrastando com as delicadas sardas nas bochechas bem abaixo do olho que davam um ar de inocência infantil.

O mero segundo em que vislumbrava toda sua perfeição era o bastante para despertar algo em mim tão forte, tão intenso, que nem consigo descrever essa sensação e muito menos dizer se já senti isso antes.

Hoje ela vinha saindo da casa de Seu Geraldo com uma beleza enlouquecedora. Usava um sobretudo verde que realçava de maneira incrível seu rosto e pescoço delineados por aqueles ondulados cabelos ruivos que quase lhe tocavam a cintura, e usava uma bota de couro preto até os joelhos.

Enquanto ela atravessava a praça aquela sensação tomou conta de mim, minhas mãos tremiam, minha garganta estava seca dando a impressão de que se esfarelaria a qualquer momento. Bebi um gole de vinho, a única coisa que conseguia engolir naqueles tempos. Quando ela atravessou a rua um calafrio percorreu toda minha espinha. Algo estava errado.

No alto da torre do sino, uma sombra espreitava. Olhava direto para minha deusa, Por mais que estivesse longe e escuro eu conseguia, de alguma forma, ver o brilho em seus olhos e o sorriso de prazer desenhando em seus lábios. Nunca vi aquele homem na cidade. O luar refletia fantasmagórico na pele dele, seus olhos eram vítreos, e os lábios de um vermelho intenso.

Sumiu! Distrai-me por uma fração de segundo e ele não estava mais lá. O desespero tomou conta de mim. Procurei frenético pela minha divindade dos cabelos vermelhos. Ela andava calma pela rua, como se não houvesse lugar mais seguro. Mas eu sabia que aquele homem a machucaria.

Achei! Ele vinha correndo por um telhado com uma sutileza sobrenatural, não era possível ouvir nenhum barulho vindo de seus passos. Ela corria perigo, não sei qual, mas corria.

Saltei. Foi algo tolo, por impulso. Pulei do terceiro andar direto para rua. A calçada afundou com o impacto de meu corpo ao solo, mas eu sem qualquer explicação plausível estava ileso.

Minha musa dobrava a esquina dois quarteirões à frente, quando o desconhecido também saltou do telhado em que estava e veio em minha direção.

— O que pensa que está fazendo? – vociferou ele, mostrando longos e pontiagudos dentes.

— Tentando salva-la! – minha voz saiu em um tom mais feroz que pretendi. Algo nele me deixava tenso, como se disputássemos pela garota como animais disputam por território.

— Da próxima vez tente usar uma desculpa melhor – e me acertou um soco.

Voei por alguns metros, pela intensidade do golpe deveria estar com uma ou duas costelas quebradas, mas novamente nada aconteceu comigo.

O rapaz havia desaparecido. Ela inda corria perigo. Segui os rastros do doce aroma de seu perfume que me levaram a uma pequena gruta, poucas dezenas de metros da igreja onde uma santa foi avistada no passado.

Entrei e lá estava ele com ela em seus braços, levando a boca em direção ao delicado pescoço dela. Uma ira incontrolável tomou conta de mim. Com uma velocidade quem nem sabia que tinha fui na direção daquele monstro e com uma força desumana empurrei-lhe contra a parede da gruta.

Peguei a mulher em meus braços, seus cabelos caiam em meus braços formando uma cascata de ondas escarlates. Ela estava viva, e acordada, mas não sentia medo. Muito longe disso, ela parecia em um estado de profundo frenesi.

Meus olhos se encontraram com os dela. E nesse momento toda a ira se foi e aquela sensação estranha voltou a mim e agora mais forte que nunca. Beijei sua face, uma de minhas mãos inconscientemente desceu até o seu busto, eram deliciosos, volumosos, firmes e macios. Não conseguia parar, algo parecia controlar o meu corpo. Beijei sua boca, lábios suaves e doces. Com os lábios ainda em sua macia pele desci pela sua face indo até o seu pescoço.

Mordi! O sangue dela inundou minha boca, o sabor era incrível, é impossível descrever o doce, o azedo e o amargo tudo misturado formando um sabor magnífico. Engoli o primeiro gole, o sangue pareceu ir da ponta dos dedos da minha mão a ponta dos dedos do meu pé.

Solvi de todo o sangue com uma voracidade animal. Quando o seu sangue por fim acabou, aquela sensação se foi também.  Quando terminei, joguei aquele corpo sem vida no chão. Todo o sentimento que sentia por ela pareceu que nunca existiu. Mas lá no fundo algo me incomodava “Por que fiz isso?” “O que eu sou?”

Percebendo minha duvida o estranho veio até mim:

— Você é novato?

Levantei minha cabeça apenas o suficiente para poder vê-lo.

— Como assim?

— Você foi transformado há pouco tempo – respondeu percebendo de que nada eu sabia – Você é um vampiro. Pelo que percebo essa é a primeira vez que se alimenta. È normal ficar confuso.

— Mas… eu… – estava difícil formar frases.

— Há quanto tempo dorme durante o dia? Há quanto tempo não come?

 

Comecei a entender o que ele dizia. E entender os fatos estranhos que apenas ignorei devido ao trauma de dois meses atrás.

 

—Faz dois meses. – por fim respondi – Mas se sou realmente um vampiro como consegui ficar todo esse tempo sem tomar sangue?

— Nosso metabolismo funciona quase como o de cobras, podemos ficar até um ano e meio sem alimento.

— Mas por que agora? Por que com ela?

—Bem! Nós vampiros temos vantagens sobre todos os humanos. Você deve ter percebido suai incrível força quando me socou, percebeu sua velocidade quando correu até mim. Percebeu também que todos os nossos sentidos são perfeitos, você me viu na torre mesmo estando escuro e longe, você conseguiu sentir o cheiro de seu perfume mesmo ela já não estando mais perto, você também sentiu cada parte do corpo dela que tocou com um prazer imensurável, e com certeza provou do nosso incrível paladar ao se alimentar do sangue de sua vítima. E o grande prêmio de todos, a imortalidade nada a não ser prata e água benta pode nos matar. Somos os seres perfeitos.

Acontece que nada disso vem de graça, temos um preço a pagar. Primeiramente não podemos ver a luz do sol, e o que mais afeta nossas vidas o que nos mata por dentro o que realmente nos transforma em monstros é o fato de que só atacamos os que amamos não importa quem seja se você realmente o ama você o matara, essa é a verdadeira maldição de um vampiro.

E ainda completou:

— Mas não se preocupe, com o tempo nós conseguimos controlar a sede e podemos aproveitar mais. Se é que você me entende.

—Então quer dizer que quem me transformou me amava? – um estalo ocorreu em minha mente – Quer dizer que minha esposa não morreu? Quer dizer que ela me transformou?

— Se sua esposa não morreu eu não sei. Mas, quanto ao falto dela ou outra pessoa que te amava lhe transformar é impossível. Ninguém sobrevive a um ataque de vampiro, portanto você não foi atacado. E sua mulher não pode lhe ter transformado, pois só existem vampiros homens. É mais provável que quem matou sua mulher tenha lhe transformado.

—Por que existem apenas homens?

—Com décadas, séculos, milênios vivendo de sangue. Nosso corpo acaba produzindo uma substancia tóxica, que se acumulada por muito tempo acaba nos queimando de dentro pra fora. Então para não morrermos, somos obrigados a expelir essa toxina e o único lugar onde ela pode ser expelida é no corpo de um homem. E quando em contato com o corpo humano essa substancia o transforma em um vampiro.

 

Ele ficou calado por um tempo observando minha reação, a maneira como digeria os fatos, até que por fim falou:

— Como você consegui ficar dois meses sem comer, ficando acordado durante a noite e dormindo durante o dia sem desconfiar de nada?

— Achei que tudo isso foi por causa do trauma da morte de minha mulher, minha mente estava uma bagunça, na verdade apenas piorou, acordava e sempre encontrava um prato e algumas panelas na pia e achava que tinha cordado durante o dia e comido e não lembrava. Quanto às noites em claros, sempre tive insônia e pensava que ela apenas tinha se agravado.

— Como alguém pode ser tão distraído e desleixado assim. Agora que te expliquei tudo tenho que ir. Talvez a gente se vê no decorrer do tempo.

 

E antes que pudesse perguntar seu nome, ele desapareceu.

 

E agora aqui estou eu, vinte anos depois em uma metrópole, observando do auto de edifícios pessoa passarem apressadas de um lado para o outro. Mal consigo ver as estrelas com toda a iluminação aqui, ainda mais hoje que por causa das nuvens e também, não sei ao certo, da poluição o céu esta vermelho novamente.

E eu como na primeira noite estou a esperar minha mais nova paixão.
Comentários   

#7 Alexandra » 09-12-2011 07:55

Foi muito boa, mas deves ter cuidado com a acentuação e concordância verbal. Sua estória uniu suspense com terror e uma dose de consciência.
Continue assim.
0 +−

Alexandra

#6 Guilherme Araujo » 21-11-2011 22:32

Ai galera
deu pra passar só hoje no site.
Obrigado pelos comentários. Que bom que gostaram da história. :lol:
e vou tomar mais cuidados com acentos da próxima vez.
Vlw
0 +−

Guilherme Araujo

#5 Gustavo Aquino dos Reis » 21-11-2011 11:11

Muito bom! Uma história dos nossos bons e velhos "vampir" sem aquele tradicional clichê!
0 +−

Gustavo Aquino dos Reis

#4 Carlos Sousa » 21-11-2011 03:26

Uma maneira diferente de contar história de vampiros. Quando comecei a ler, tive a impressão que a protagonista seria a ruiva. Pena que ela não continuou na história.

Possui uma evidente característica descrever de forma poética detalhes do cenário onde se desenrola a cena. Gostei do que li. Ademais, só alguns cuidados com uma acentuação aqui e ali e continue escrevendo. Parabéns!
0 +−

Carlos Sousa

#3 Tânia Souza » 19-11-2011 22:29

Gostei, e o legal é que pode oferecer novas aventuras com tal personagem.
0 +−

Tânia Souza

#2 Elsen Filho » 16-11-2011 17:43

Interessante, uma nova visão para o mito.
0 +−

Elsen Filho

#1 Lucas Maziero » 14-11-2011 14:29

Sempre é bom ler uma história sobre vampiros! :D
0 +−

Lucas Maziero

Você está aqui: Contos Terror Noite Rubra