O Mestre da Tortura

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O Mestre da Tortura

Por Juliano Marques

Escuridão.

Luz.

É tirado o capuz da minha cabeça.

Meus olhos ardem, não consigo manter o foco.

A minha frente, uma turma de alunos, militares ou não, só sei que estão fardados. Podem ser escoteiros, não sei, são jovens com idade entre dez, doze... Chegando ao máximo aos quatorze anos, todos com faces serenas e concentradas. As carteiras onde estavam sentados são de um formato antigo, de madeira. Alguns, uns dois ou três, correm no fundo da classe brincando de algo. Esconde e esconde, talvez.

Estamos no porão de algum lugar. Ouço, acima de nós, sons de um bar ou uma boate.

Não consigo me mover, porém percebo quando alguém mais entra na sala, todos os alunos se sentam e ficam no mais absoluto silêncio.

Consigo melhorar o foco.

Percebo que eu estou sentado em uma cadeira, meus tornozelos e pulsos atados com um arame, sei por causa do tato do material em minha pele, estou amordaçado com um pedaço de pano fétido e nojento, além de estar despido, apenas com minhas roupas íntimas.

Consigo mover um pouco minha cabeça lateralmente e percebo que estou posicionado à frente dessa turma, no entanto estou posicionado em uma coluna com mais três ou quatro pessoas. Todas parecem estar desmaiadas.

A posição é incômoda, o carrasco fica ao nosso redor andando para um lado e para o outro, o silêncio impera, não posso mexer um músculo, no máximo respirar. O frio e a dor que sinto em todo o meu corpo é insuportável.

Está sendo ministrado um curso, mas o que nós estamos fazendo amarrados em cadeiras, em frente a essa turma?

– Hoje veremos como tirar informações de bandidos.

E o que eu estou fazendo aqui?

Um dos amarrados, o primeiro da coluna, é levado até o outro lado da sala, colocado em uma máquina que chamam de o torniquete. Começam a rotacionar manivelas. Todo o corpo do homem é esticado. Quando chega ao limite, continuam a torcer aplicando mais força. O homem começa a berrar. Podemos observar seus tendões rompendo abaixo da pele.

O braço estoura.

Desespero.

O torturado é colocado em sua cadeira e amarrado novamente.

Levantam o segundo da coluna e os “professores” começam a torturá-lo. A cada fase da tortura, o torturador dá explicações e responde aos questionamentos dos alunos.

Em cada período no qual o curso é ministrado nós levamos tapas nos ouvidos, acho que chama isso telefone, mas já não escuto mais nada.

A tortura do segundo homem tem início, colocam-no em um equipamento conhecido como a cadeira do dragão. Cadeira elétrica, com assento, apoio de braços e espaldar de metal onde um indivíduo é colocado e amarrado aos pulsos por cintas de couro, fios elétricos colocados em partes do seu corpo.

Ligam a máquina.

Ele se debate, desesperadamente, sofrendo convulsões. Por causa da eletricidade o homem tritura sua própria língua. Os alunos anotam tudo, concentrados, porem não parecem abalados, cada detalhe de cada fase é observado e anotado. O tiram, explicam o afogamento, e quando o homem cobaia desmaia, reclamam. Um dos instrutores diz:

– Atrapalhou minha instrução, desmaiou antes do fim.

Colocam-no próximo, após o desmaio do torturado a seção de tortura continua, o instrutor demonstra cada tortura de forma técnica e didática, cada forma de tortura e como realizá-la de forma a conseguir informações.

Colocam-no de volta a cadeira... desmaiado. Antes de mim ainda tem dois... é levado o próximo, a crueldade aumenta, colocam sua mão em um cortador de papel. Baixam com toda força... os dedos pendurados. Alguns alunos passam mal e vomitam, é posicionado no pulso a lamina do equipamento, corta e o sangue jorra por toda a sala. Cortam em mais dois lugares do braço... meu desespero aumenta cada vez mais.

E o que eu estou fazendo aqui?

Ele, quase morto, é colocado de volta a cadeira.

Tem mais um antes de mim. Não! Esse já esta morto. Sou o próximo, o frio na espinha sobe até o fim da nuca. Começam a desamarrar minhas cordas. Com brutalidade me deixam em pé... Tudo embaça... Um dos que ministra o curso faz um gesto.

Eu sou colocado de volta a cadeira e amarrado novamente.

Escuta-se o sinal do intervalo.

A turma sai da sala.

– OBA. Acho que dessa escapei.

Sinto algo metálico e frio sendo posicionado em minha cabeça.

MEU DEUS, é uma arma.

...

Escuridão.

Comentários   

#10 juliano marques » 14-06-2013 18:38

Ta aí um texto que me fez ficar excitado a cada parte, muito bom mesmo. Isso daria um ótimo filme de terror/horror.
+1 +−

juliano marques

#9 Juliano Marques » 01-02-2012 13:49

pretendo enviar o mestre da tortura 2.
+2 +−

Juliano Marques

#8 Juliano Marques » 01-02-2012 13:48

aguardo mais comentários;
+2 +−

Juliano Marques

#7 Juliano Marques » 16-01-2012 12:51

O conto :
Período de ditadura no Brasil.
É baseado , relatos sobre aulas de torturas.
Fictício.
+2 +−

Juliano Marques

#6 Emerson Pimenta » 15-01-2012 16:27

Olá Juliano, gostei do seu conto. Bem, de certa forma ele escapou, não é? E teve mais sorte que os demais [+1]
:o
hehehehe
+2 +−

Emerson Pimenta

#5 Sofia Geboorte » 14-01-2012 20:12

;-) Bom, gostei das torturas...
+2 +−

Sofia Geboorte

#4 Juliano Marques » 14-01-2012 11:48

esse conto é a menina dos meus olhos, obrigado pelos comentários.
+2 +−

Juliano Marques

#3 Edwart Angst » 13-01-2012 15:35

Parabéns.
A ideia foi boa,o conto é bom!!
:lol:
+2 +−

Edwart Angst

#2 Elsen Filho » 13-01-2012 15:24

Gostei, o título bate certinho com a estória. 8)
+2 +−

Elsen Filho

#1 Lucas Maziero » 13-01-2012 13:42

Olá Juliano, gostei do seu conto. Bem, de certa forma ele escapou, não é? E teve mais sorte que os demais :D
+2 +−

Lucas Maziero

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