Ganhou, morreu!

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Ganhou, morreu!

Conto de Claudio Parreira

 


Quando ele soube que o crânio matava quem o recebia de presente, não pensou duas vezes: era a sua oportunidade!

Certificou-se com o vendedor sobre a eficácia do negócio:

— Não falha! — apressou-se o homem em garantir a qualidade do seu produto. — Ganhou, morreu! Eu comprei essa peça, assim como o senhor vai fazer agora. Não corremos risco, portanto. Coitado é de quem ganhar...

Coitada. Era chegada a hora de despachá-la desta para melhor. Mandá-la de volta ao inferno, que era de onde jamais deveria ter saído.

Ele saiu da loja, feliz — com o crânio maldito cuidadosamente acondicionado numa caixa de veludo negro.

***

— Presentinho! — ele disse, os olhos brilhando de estranha satisfação.

A mulher abriu a caixa e conferiu o conteúdo. Bonito crânio, cristal fino — mas um presente de extremo mau gosto.

— Obrigada — ela respondeu. — Horrível.

Ele não ouviu as palavras da mulher. O serviço estava feito.

***

Ela já conhecia a história daquela peça. E suspeitava também das intenções do homem. Precisava agir rápido, portanto, antes que a maldição a atingisse.

— Tenho um presente para você — o menino recebeu a caixa e sorriu. — Mas esse é um segredo nosso. Não conte para o seu pai que eu te dei.

***

Uma semana depois de ter dado o presente à mulher, ele voltou à loja para reclamar.

— O crânio funciona, sim! — protestou o vendedor, indignado. — Só é preciso esperar.

O homem voltou para casa, apreensivo. Sua mulher era astuta — do que seria capaz?

— Cheguei — disse ele ao abrir a porta. O silêncio foi a resposta.

Seguro de que a maldição tinha funcionado, ele subiu até o seu quarto. Ao contrário do que esperava, não encontrou o corpo da mulher na cama — encontrou apenas um bilhete:

 

Seu filho adorou muito o presente que lhe dei. Pena que não tenha tido tempo para curtir o que ganhou.

 

O homem pensou em gritar, mas não tinha mais voz. Não tinha mais nada, afinal. 

Comentários   

#5 Emerson Pimenta » 24-11-2012 14:03

:eek:


Ps* (Fiquei curioso sobre a lenda =P)
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Emerson Pimenta

#4 Claudio Parreira » 22-11-2012 21:01

Obrigado pelo comentário, Flávio. Realmente, não foi um dos contos mais felizes. Não dá pra acertar sempre.
0 +−

Claudio Parreira

#3 Flávio de Souza » 22-11-2012 12:00

Olha, reli novamente o texto, mas continuo com a mesma impressão. Quando se trabalha com um tema batido, no caso o crânio de cristal, que já flertou até com Indiana Jones e com o desenho Billy e Mandy, penso que o importante seria criar uma nova maneira de contá-lo. Infelizmente não foi o caso. A sucessão de cortes rápidos não desenvolve a intensidade esperada, e o final previsível (que não é o problema, pois em histórias conhecidas é difícil ser diferente) não causa impacto ou choca. Poderia ser trabalhado de forma mais criteriosa.
+1 +−

Flávio de Souza

#2 Tânia Souza » 22-11-2012 01:10

Rápido e certeiro. Já conhecia a lenda dos crânios de cristal, bem legal o conto.
+1 +−

Tânia Souza

#1 Izilda Silva » 20-11-2012 20:46

:lol: :cry: :-?
+1 +−

Izilda Silva

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