Resenha de Conto: The Golden Basilica – Reggie Oliver

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“...I had a vague idea of The Golden Basilica being an elegant, witty novel about the English expatriates in Italy with perhaps a touch of E.M. Forster or even Henry James about it. I have no idea why I thought that. Out-of-work actors are prone to such ruminative fantasies: They will watch the mannerisms of someone sitting opposite them in the tube and construct whole dreams out of a few simple observations. Actually, I was relieved not to find a copy of the The Golden Basilica. It meant that my fantasy could soar ungrounded by reality.”

 

Sinopse:

Elusivo livro- “The Golden Basilica” - chama a atenção de um ator durante um teste com um obsessivo proprietário de teatro. Ao aceitar um estranho convite para visitá-lo, chama-lhe a atenção sua soturna mansão assim como o mistério do livro escrito pelo filho a quem enfatua constantemente.

 

Crítica:

Soturno estudo Machadeano sobre egolatria e obsessão? Exercício oblíquo e fantasmagórico em estranheza antiquariana? Ou uma hábil tirada de chapéu à trupe dos desajustadossolitários do Robert Aickman e Walter de La Mare? Talvez tudo isso e mais um pouco: O Oliver’sTouch.

Distinto da ghoststory tradicional ala M.R. James, conta-se nos dedos - além dos citados - os praticantes regulares deste sub-gênero marginal mais conhecido como StrangeStories (às vezes classificado erroneamente como “inconclusiveghoststory”).Thomas Owen e Simon Strantzas me vem à mente como os únicos praticantes regulares deste sub-gênero de fronteira.

Textos como estede ricas possibilidades interpretativas, faz-se necessário destacar alguns aspectos que primeiro chamaram a atenção numa primeira leitura. Peculiar como o autor desenvolve a personalidade do proprietário e coloca o leitor em seu mundo que parece orbitar em torno damítica figura do filho distante: o enigmático livro que leva o ator a uma infrutífera busca; as alusões a um possível desentendimento que levou o filho à Itália.

Outras vezes, o foco na escalada de egolatria e obsessão cria um efeito claustrofóbico, tamanha a ênfase na psicologia e comportamento circular e ritualístico do pai. Passagens como esta adensam e ofuscam a narrativa, mas contribuem na criação de um clima de “desespero velado”:

“...the silver on display was Georgian and well-polished, but there was no character. Nothing there had been chosen with love or enthusiasm. It looked like a stage set furnished to create the right impression of gentility: The drawing room of the old Rectory. Tiddenham, onedullafternoon in July.”

Vale destacar uma potente “aparição disforme” antes do clímax: a mais eficiente e perturbadora metáfora visual para a dinâmica e problemática dos relacionamentos que já li. As linhas finais elevam os efeitosà enésima potência.

Mesmo com minhas (frustradas) tentativas, é bom frisar que as possibilidades de leitura e interpretação são infinitas...ou, parafraseando o Tim Maia: tudo é tudo e nada é nada.

Nota: 9,0


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