Resenha de filme: Fábula Macabra

(1 voto, média de 4.00 em 5)

 

Título original: Whoever Slew Auntie Roo

Ano de produção: 1971

Direção: Curtis Harrrington


Sinopse:

Na noite de natal, garotos de um orfanato são convidados para a casa de uma viúva solitária que perdeu a filha em circunstâncias misteriosas. Durante a comemoração, casal de irmãos penetras é surpreendido pelo mordomo, mas a senhora os abriga, sem perceber o quão curioso é o garoto e acaba por criar um elo emocional com a irmã, a quem enxerga como a projeção de sua filha. A situação se complica quando ele ouve sons de um quarto e associa a viúva a uma vilã de um conto de fadas.


Crítica:

Guardem bem este nome: Curtis Harrington. Ele não aparece com muita frequência em fóruns e blogs especializados; seus filmes são menos reprisados em canais a cabo que mereciam, e certamente – infelizmente - o tempo tratou de relegar clássicos como Night Tide e Obsessão Sinistra a sótãos empoeirados e decrépitos. Ainda assim, de hora em hora, seu talento é cantado a quatro ventos em retrospectivas e festivais; por fãs, cinéfilos e críticos de respeito.

Por estranho que pareça, essa relativa obscuridade é, de certa maneira, compreensível, pois, assim como o Gentle Giant na música e o Lovecraft na literatura, Harrington pagou com a mais rara e valiosa das moedas: originalidade. Na verdade ele faz parte de um seleto clube que me convencionou a classificar como “Cinema B Autoral”: sim, estamos no terreno do entretenimento de baixo orçamento com todos os deleites que este modo proporciona, mas com idiossincrasias que elevam algumas obras acima do meramente competente e – mais importante – imprimem uma identidade própria.


Idiossincrático, inventivo, surpreendente e inusitado, assim é o seu cinema. Ele é capaz de fundir thriller psicológico, nostalgia hollywoodeana, musicais, terror e excessos grand guinol com naturalidade e desenvoltura (Obsessão Sinistra); ou misturá-los ao humor negro, suspense e conto de fadas. Assim são seus filmes: um caldeirão de bruxa, uma encruzilhada estética onde gêneros e artes se misturam.

Se não vemos com muita frequência, em filmes de terror, progressões dramáticas e caracterizações caprichadas, isso se deve – pelo menos nas mãos de mestres – mais a uma escolha artística que limitação técnica. Aqui Harrington faz um trabalho admirável com a direção de atores: Shelley Winters, em especial, em vários momentos, rouba a cena com uma atuação que vai além do meramente funcional, com ressonância emocional e um palpável senso de perda que empresta à personagem um necessário ponto de identificação com o espectador.


“Fabula Macabra” é um filme de visual bonito e ótimas sacadas, como a inesperada “revelação” nos créditos iniciais do quão psicologicamente perturbada é a nossa “viúva-na-menopausa-à-beira-de-um-ataque-de-nervos”; mas a melhor delas é a (genial) mudança do ponto de vista para o garoto, que passa a enxergá-la  como a vilã do conto de fadas João e Maria.

Também digno de menção é o excelente exercício em humor negro e grand-guinol com a parafernália de um ilusionista: uma mágica macabra, dentro deste - que também não deixa de ser - um engenhoso, ilusório, mórbido e cativante truque cinematográfico.

Nota: 9

Comentários   

#3 Thasyel Fall » 01-02-2013 05:34

Tb quero ver... para falar a verdade, nunca nem ouvi falar... como pode... vou caçar... :lol:
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Thasyel Fall

#2 leila santana alves » 06-12-2012 09:50

:eek: :-? :oops: :cry: :-x :lol: :zzz :D :-)
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leila santana alves

#1 Tânia Souza » 01-12-2012 12:55

Cativante resenha, fiquei com muita vontade de assistir ao filme.
+2 +−

Tânia Souza

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