Resenha: Angst

(2 votos, média de 5.00 em 5)

Título original: Angst 

Ano de produção: 1983 

Direção: Gerald Karlg 

Curiosidades:

O filme foi baseado na vida do psicopata Werner Kniesek e faz alusões a diversos assassinos, entre eles Peter Kürken, mais conhecido como “O vampiro de Düsseldorf”.

Sinopse:

Psicopata recém saído da prisão passa a apresentar os mesmos sintomas e devaneios que  levaram-no ao confinamento. Impossibilitado de conter seus impulsos, arquiteta novas mortes e chega a uma mansão isolada onde aterroriza uma idosa, o filho inválido e uma jovem, enquanto relembra sua infância problemática com a mãe, irmã e o padrasto.

Crítica:

Serial killers, monstros psicóticos e aberrações psicológicas de toda espécie são figurinhas fáceis no mainstream hollywoodiano; algumas destas produções estão entre os melhores filmes produzidos no gênero, é verdade, mas também não se pode negar que a imensa maioria pintam um retrato um tanto heróico e glamourizado (para não dizer falso) dos psicopatas, e cabe ao cinema independente remover o verniz romântico, puxar o tapete do (pobre) espectador e revelar as engrenagens e mecanismos da mente perturbada e criminosa, sem maquiagens, adereços, nem frescuras.

Angst é um filme criminalmente obscuro (não me perguntem o porquê), e seguramente um dos mais “realistas” já produzidos sobre o tema. Praticamente desprovido de diálogos, a ação é costurada e entrecortada por monólogos interiores do protagonista (uma técnica oriunda da literatura, consagrada pelo escritor James Joyce e levada adiante pelos pós-modernistas da geração de Virginia Woolf) dando à obra não apenas uma dimensão mais humana e filosófica como também uma espécie de “sustentação” ou “justificativa” psicológica para seus atos abomináveis (sim, ninguém nasce monstro).

Comparado positivamente ao mais conhecido Henry: Retrato de um Assassino, Angst em alguns aspectos, o supera. 

A trilha sonora eletrônica – típica dos anos 80 – é discreta e bastante eficiente; algumas camas de teclado me lembraram vagamente o trabalho do Mark Snow em Arquivo-X (nada me irrita mais em filmes de horror que trilhas pomposas e intrusivas; assistam ao Zeder e vejam como uma trilha inadequada é capaz de [quase] destruir um filme soberbo).

A direção do Karl é segura com boa direção de atores, mas é no extraordinário trabalho de câmera do premiado curta metragista Zbigniew Rybczynski que se concentra o poder de fogo de Angst: usando e abusando de tomadas de longa distância, wide-angle-shots, ângulos caóticos, movimentos e floreios de câmera intrincados que transmitem com absoluta fidelidade, estados de ansiedade, impulsos e os diversos estágios caóticos e confusão mental do protagonista, que o filme se coloca num patamar muito acima da maioria.

Angst compartilha da mesma intensidade, finura de estilo e destreza técnica dos melhores Bava e Argento e uma dimensão existencial e aprofundamento psicológico, dignos do que melhor se produziu, dentro e fora do gênero.

Cinema em estado bruto.

Nota 10

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