Resenha: Magic Terror

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Quem acompanha este site sabe que sou suspeito para falar das obras de Peter Straub, já que sou fã incondicional do trabalho dele. Mesmo assim, eu tento ser o mais imparcial o possível quando escrevo (ou tento escrever) resenhas sobre os livros dele.

Magic Terror é uma coletânea contendo 7 contos e novelas publicadas em diversas antologias durante a década de 90. Como grande parte das obras de Straub (saudades da Francisco Alves), esta não foi traduzida para o português. Como o livro foi muito bem falado e aclamado, não houve saída a não ser comprar no idioma original.

O livro começa com o conto “Ashputtle”, que é praticamente um conto de fadas pós-moderno. Aqui vale um parêntese: Ashputtle era o nome original do “Cinderela” na versão dos irmãos Grimm. O conto, em primeira pessoa, é narrado pela Senhorita Ash, uma professora de jardim de infância que sofre de obesidade e é sufocada pela sua própria essência doentia. Ash perdeu a mão quando ainda era pequena e passou a infância sendo atormentada por sua diabólica madrasta. Ash cria um mundo de fantasia aonde ela se imagina uma princesa, o que na verdade é um mecanismo para camuflar toda a sua demência e sadismo. A narrativa é complexa, alternando entre passado, presente e o mundo de fantasia; narrativa em primeira e terceira pessoa e à medida que o conto avança, os dois mundos começam a se fundir. Straub mais uma vez nos leva a esta deliciosa viagem pela mente humana e os mistérios que ali se escondem.

“Isn't It Romantic” é, talvez, o conto mais fraco do livro, mas nem por isso ruim. O conto narra a história de um assassino profissional que, em sua última missão, fica em dúvida se ele é a próxima vítima ou não. A história segue contando a trajetória do assassino tentando cumprir a sua missão ao mesmo tempo em que evita ser morto. A arrogância do agente, entretanto, deixa-o cego para o jogo em questão e Straub, como lhe é bem peculiar, nos faz sorrir perante a insensatez humana enquanto nos leva ao banho de sangue.

“The Ghost Village” é uma das melhores histórias do livro. Straub utiliza os personagens do seu romance Koko, quando ainda estavam no Vietnam. Composto de uma série de mini-estórias, como um soldado que descobre, ao receber uma carta da esposa, que o filho sofrera abuso na escola; um comandante que simplesmente chegou ao limite; e uma série de misteriosos assassinatos em um vilarejo misturam-se com as ironias aceitas da guerra: drogas, alcolismo, e até mesmo fazer apostas sobre o tempo de vida de um tenente. Tudo isso mostra a mente devastada e psicologicamente destruída dos soldados que participam de uma guerra. Difícil saber se a história é pura ficção ou baseada em fatos reais.

“Bunny is Good Bread” é, talvez, a história mais forte do livro. E é preciso estômago para ler. A história de um menino, Fee, que assiste a morte lenta e agonizante da mãe após ser espancada pelo seu pai. Como se não bastasse, Fee também sobre o abuso psicológico de seu pai e, para fugir da realidade, passa a frequentar o cinema local aonde sofre abuso por parte dos pedófilos de plantão. A narrativa passa então a fundir a realidade com os filmes vistos por Fee, para culminar, já no futuro, em um Fee com uma mente doentia, capaz de assassinatos em série e estupros para então, alistar-se no exército para servir no vietnam. Straub nos mostra como uma infância conturbada pode criar um monstro no futuro. As descrições visuais são tão fortes e poderosas que é preciso muito força de vontade para terminar de ler este conto.

Acho que “Porkpie Hat” veio para tranquilizar um pouco o espírito e a mente após a leitura do conto anterior. Hat é um famoso músico de Jazz que é entrevistado por um fã do gênero (que descobre que existe pouco material sobre a vida dele). A entrevista ocorre em uma noite de Halloween, e Hat parece mais interessado em contar uma noite de Halloween em particular do que responder as perguntas do rapaz. A narrativa de Hat se passa nos anos 20, em uma noite em que ele e um amigo tiveram um encontro pra lá de surreal em uma cidade segregada marcada pelo racismo e pelo misticismo.

“Hunger, An Introduction”, é uma narrativa curiosa contada do ponto de vista de um fantasma, revivendo os eventos que o levaram à condição atual. O narrador é um pseudo-intelectual nada simpático que não consegue aceitar a sua condição atual e as limitações que isso traz.

Para fechar com chave “Mr. Clubb and Mr. Cuff” narra a história de um bem sucedido investidor que descobre que sua mulher está tendo um caso com seu rival. Os personagens do título são então contratados para dar-lhes uma lição, mas acaba por descobrir que esta simples “transação” de negócios pode ser mais sinistra do que seria esperado.

Peter Straub é um dos poucos escritores que obteve sucesso ao fazer experimentos só vistos no mainstream em suas histórias de terror. Narrativas complexas, cheias de alternância de tempo e narradores exigem atenção e cuidados redobrados do leitor. Mas o ponto forte de Straub são seus personagens; um mero passeio à suas mentes pode ser uma perigosa viagem sem volta.

 

Comentários   

#1 luccas » 22-05-2013 17:38

esse livro é muito chaaaaaaaaaaaaa tooooooooooo :-x :-x :-x :-x :-x :-x :-x :-x :-x :-x :-x
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luccas

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