Resenha: A Morte da Luz, de George R. R. Martin

(3 votos, média de 4.00 em 5)

 

A Morte da Luz, de George R. R. Martin

Quando abri "A Morte da Luz" para ler, eu já possuía uma grande expectativa. Para aqueles que não sabem, George R. R. Martin é, atualmente, um dos meus autores favoritos. Então, juntando esse fato com o de que fiquei muito curioso para saber como ele escrevia trinta e cinco anos atrás, resolvi ler o livro. E, confesso, minhas expectativas não foram quebradas.

O livro é muito bom. Não tão bom quanto os livros d’As Crônicas de Gelo e Fogo, mas ainda assim merece reconhecimento. O começo morno da história é ofuscado pela complexidade do universo futurista criado por George R. R. Martin, onde não existem alienígenas, mas sim raças humanas evoluídas de maneira diferente em cada parte da galáxia.

A trama em si é ambientada em Worlorn, um planeta errante, que durante um Festival da Orla foi colonizado por quatorze culturas diferentes, mas com o fim do mesmo, rapidamente abandonado. Dirk t’Larien, o protagonista, ruma para o planeta movido pela promessa que fez a sua amada, Gwen Delvano, de que um dia voltaria para ela. No entanto, quando ele chega, descobre que ela está casada com um alto-senhor kavalariano, Jaantony Vikary. A missão de Gwen em Worlorn, como bióloga, é estudar a natureza singular do planeta, que foi obtida através da união de todas as culturas que participaram do Festival.

Ao longo da história, George R. R. Martin nos apresenta o choque entre as culturas de seu complexo universo –  que na minha opinião, é um dos focos principais do livro. A de Alto Kavalaan, acima de todas, contrasta as visões conservadoras e modernas dentro da mesma sociedade.

Compreendam que é muito difícil para mim ter que comparar “A Morte da Luz” com os livros d’As Crônicas de Gelo e Fogo, mas irei tentar. De semelhança, eu destaco a imprevisibilidade da trama e o esmero na criação da história. George R. R. Martin é um escritor muito inteligente, e sabe como cativar um leitor. Das diferenças entre as obras, eu diria que “A Morte da Luz” tem mais ação e, mesmo sendo ficção científica, teve momentos românticos em excesso, enquanto n’As Crônicas de Gelo e Fogo esses momentos são bem escassos.

E gostaria de deixar uma observação para aqueles que não conhecem todas as obras de George R. R. Martin: comparando os dois momentos do autor, eu diria que lendo-se um não se ganha uma opinião concreta sobre o que poderá ser o outro. Tanto que, se ele tivesse usado um pseudônimo no livro, eu nunca iria saber que ele foi o autor de “A Morte da Luz”. Portanto, eu recomendo a leitura dos seus dois períodos, pois cada um não deixa de ter suas próprias qualidades e ser uma bela história: em ficção científica (1977) e em fantasia medieval (1996 à 2011).

Recomendo o livro para leitores que gostam de ficção científica em sua forma mais pura, envolvendo planetas, culturas e civilizações e para leitores que gostam de aventuras com bastante ação e emoção.

“– [...] Os kavalarianos têm um ditado, que um homem é a soma de todos os seus nomes. Nomes são muito importantes em Alto Kavalaan. Nomes são muito importantes em todos os lugares, mas os kavalarianos conhecem essa verdade melhor do que a maioria. Uma coisa sem nome não tem substância. Se algo existe, tem um nome. E, da mesma forma, se você der um nome para alguma coisa, de algum modo, em algum nível, a coisa nomeada existirá. Esse é outro ditado kavalariano. Você entende, Dirk?” (p. 40)

Comentários   

#2 JOSI VAZ » 30-11-2012 21:21

Ainda não consegui ler , mas confesso que estou curiosissima, pois fico vendo nas conduções, trem, metro, muita gente lendo george martin, deve ser muito bom mesmo.
0 +−

JOSI VAZ

#1 Ramon Bacelar » 31-07-2012 12:51

Não li esse, mas o Martin é velho de guerra e já era um escritor premiado e consagrado antes das Crônicas. Tomara que lancem por aqui seus ótimos contos e Fevre Dream, um cultuado romance de vampiros. ;-)
0 +−

Ramon Bacelar

Você está aqui: Resenhas Livros Resenha: A Morte da Luz, de George R. R. Martin