Resenha: Frankenstein - Mary Shelley

(5 votos, média de 2.80 em 5)

De um lugar frio e solitário, Robert Walton escrevia a sua irmã Margareth. Primeiro contando suas aventuras em busca de uma passagem para o Pólo Norte, para, por fim, entregar-lhe uma narrativa tão estranha e fascinante, que poderia encher de sombra os corações mais puros. Naquele universo de gelo e névoas, Walton salvara da morte um homem chamado Victor Frankenstein. Alternando estados de insanidade, melancolia, doçura e profundo conhecimento da vida, este lhe causa forte impressão. “Estranha e angustiante deve ser a história da tormenta que desabou sobre essa vida, levando-a ao naufrágio.” Quando enfim o naufrago conta sua história, é por meio das cartas de Walton a Margareth que se têm início a narrativa da saga de Victor Frankenstein.

Quais teriam sido os sentimentos daquela jovem a cada missiva que lhe chegava? Teria ela se preparado para o sentimento de pesar e pavor, como nós, leitores, nos preparamos ao ler como Mary Shelley, a autora, descreveu o momento de puro horror que sentiu quando imaginou criador e criatura que dariam origem a uma das mais sombrias histórias da literatura fantástica?

Mary Shelley, desafiada a escrever um conto sombrio e fantasmagórico, deu vida a um cientista e sua criatura, sua obsessão, seus sentimentos e escolhas, ações tão complexas cujas conseqüências arrastariam com ele - num turbilhão de angústia, morte, consciência, vingança e dor - todos os ideais, a moral e os seres que mais amara.

Victor Frankenstein era jovem, acreditava na ciência e no progresso. Ah, a ciência, o moderno Prometheus do título buscando o fogo sagrado do conhecimento, desejoso de “roubar” o dom de criar a vida. Era curioso, ousado, não teve medo, não teve pudor e, obcecado por sua experiência, rompeu limites enquanto sonhava a imortalidade para o homem. Victor Frankenstein desejava vencer a morte.

“Eu seria o primeiro a romper os laços entre a vida e a morte, fazendo jorrar uma nova luz nas trevas do mundo (...). Ressurreição! Sim, isso seria nada menos que o poder de ressurreição.”

E ele o fez. Criou a vida a partir de matéria morta. Mas ao conseguir, se revelou fraco, amoral e medroso. Ao criar a vida e com ela, uma das criaturas mais comoventes e sombrias da literatura universal, simplesmente fugiu. A criatura, que posteriormente seria conhecida pelo nome do seu criador, não trouxe consigo a beleza, e justamente essa ausência do belo a tornaria horrenda aos olhos dos homens, uma presença do “feio” que despertava reações de agressão e perseguições. No entanto, era sensível, sofria, aprendeu sozinha as lições que o mundo lhe deu.

“Eis que, terminada minha escultura viva, esvaía-se a beleza que eu sonhara, e eu tinha diante dos olhos um ser que me enchia de terror e repulsa.”

O “monstro” gigantesco e horrendo, apresenta-se de forma complexa, alternando comportamentos de mais pura bondade e desejo de aceitação para, com a rejeição da sociedade, desenvolver um comportamento cruel e vingativo.

"(...) ferido pelas pedras e toda sorte de objetos, que me arremessavam, fugi para o campo aberto e, cheio de medo, busquei refúgio numa cabana acachapada."

Assim como Victor, que ora nos convence e até comove a ponto de ter a simpatia do leitor, por vezes nos enerva e causa revolta, a criatura nos assombra, nos enche de melancolia e espanto. Estes dois personagens não são planos, Mary Shelley os fez de forma que podem nos levar a sentimentos opostos em poucas linhas.

"Também eu posso criar desolação! O que me fizeram com a vida, pago com a morte. Meu inimigo não é invulnerável. Esta morte há de causar-lhe desespero, e mil outras desgraças o atormentarão até destruí-lo."

Criador e criatura, quem seria de fato o monstro? Não posso negar que me fiz essa pergunta algumas vezes durante a leitura.

Em relação à estrutura narrativa, o texto apresenta trechos muito descritivos em certos momentos, principalmente nas descrições de paisagens. Mesmo reconhecendo o interessante recurso de inter-relacionar os sentimentos dos personagens com a paisagem, torna-se cansativo.

Já o foco narrativo é multiplo, com predomínio do gênero epistolar foi um recurso muito bem aproveitado pela autora. A narrativa epistolar não afasta o leitor, ao contrário, em vários momentos o narrador alterna-se, Walton é o narrador testemunha, mas ele transfere esse papel narrativo a Victor e, posteriormente, em um dos momentos mais comoventes do livro, à própria criatura. Finalmente, Walton retoma o foco narrativo, mas é esse recurso que permite à história ser contada dentro de outra e vários pontos de vista serem expostos.

Ler Frankenstein é rever o sonho da imortalidade, questionar o poder e o alcance da ciência, o preço do conhecimento e a as conseqüências de se romper com o que chamamos de ética e moral para a humanidade. É testar o sombrio e o absurdo, a piedade e o inesperado.

Mas é também uma história de buscas, de superação, de conhecimento, de vencer a solidão. Uma narrativa para se comover, se revoltar, se emocionar. Porque é literatura, e literatura não precisa ser racional, precisa apenas inquietar e isso, Frankenstein de Mary Shelley o faz muito bem.

Título Original: Frankenstein or the Modern Prometheus

Editora: Martin Claret

Tradução: Pietro Nassetti

N° Páginas: 208

Comentários   

#28 Shirley » 03-03-2017 23:51

Fantastic blog! Do you have any ttips for aspiring writers?

I'm hopin to start my own blog soo but I'm a little lost oon everything.
Would yyou recommend starting with a free platform like
Wordpress or go for a paid option? There are
so many options out there that I'm totally confuse
.. Any recommendations ? Appreciate it!

Feel free to visit my page essay
0 +−

Shirley

#27 Adenir Monteiro » 22-08-2016 12:31

Seu texto é perfeito Tânia! Espero escrever bem assim, breve!
Li frankenstein a alguns meses e achei um livro maravilhoso e ao mesmo tempo sufocante, estilo extremamente culto e texto inpecável. Sua resenha fez jus a história de Mary Shelley. Retomei a obra em sua palavras como se eu tivesse lido novamente o livro.
−1 +−

Adenir Monteiro

#26 alanny fernandes » 05-03-2016 15:51

Top de mas muito bom gostei tanto quanto do livro como o resumo adorei..... :D
Nunca ler um resumo tão bem explicado como esse. :P Da para entender tudo..
Parabéns pela resenha, Tânia, muito boa! 8) Já li o livro e considero a Shelley uma das minhas mais fortes influencias na literatura. Junto com Sherydan Le Fanu e Anne Rice. :lol: :lol: :lol:
+1 +−

alanny fernandes

#25 vitor f » 05-10-2015 17:59

o filme frankstein de 2013 foi melhoe :-) :-) :-) :-) :-) :-) :-) :-) :-) :-) :-)
+1 +−

vitor f

#24 Melyssa » 20-09-2015 17:43

~Muito BOM , parabéns pelo o resumo. Bjs :-* :zzz
+1 +−

Melyssa

#23 sofia Martínez » 02-07-2014 18:31

A novela é maravilhosa, o que é uma grande revisão. Como eu li me fez lembrar da série recém-lançado Penny Dreadful www.hbomax.tv/penny-dreadful/, uma história que lida com as verdadeiras origens do outros clássicos como Frankenstein e Dorian Gray, eu recomendo muito.
−1 +−

sofia Martínez

#22 Jacki » 05-06-2014 14:09

muito bom esse resumo vou consegui fazer um trabalho ÓTIMO, obrigada! :lol: :lol: ;-) :D
−9 +−

Jacki

#21 Portal Alexandria. » 26-02-2014 22:59

Muito boa sua resenha, vai me ajudar bastante, futuramente vou escrever uma com enfoque nas questões filosóficas do seculo XVIII.
Quem quiser acompanhar seria um prazer.

www.facebook.com/.../
−1 +−

Portal Alexandria.

#20 daniele » 28-10-2013 18:59

legal
−2 +−

daniele

#19 kauane » 27-10-2013 16:19

;-) é legal mas eu precisava muito muito mesmo era do filme se alguem achar fala comigo,obrigada .
−3 +−

kauane

#18 juliano marques » 05-09-2013 16:25

Fiz um conto baseado no livro.
o link:
recantodasletras.com.br/.../...
+5 +−

juliano marques

#17 julia » 05-09-2013 14:48

Eu Tenho Esse Livro Ele É Muito Legal :lol:
−2 +−

julia

#16 Carolina Maciel » 31-05-2013 13:24

Tenhoo ficha de leitura e a mãe pode me matar se euu tira zeroo ..
Rsr ' *--*
- Obrigada, conserteza vai me ajudar muito ..
;-)
−2 +−

Carolina Maciel

#15 Tânia Souza » 21-05-2013 05:43

Citando Bruna Bertolo:
Parabéns Tânia!! Eu precisava de referências e bases para entender e construir uma boa perspectiva sobre este e você me ajudou muito! Realmente incrível! :lol:


Bruna,que bom que gostou, eu demorei muito para ler esse livro e quando finalmente o fiz, foi para me apaixonar.
+6 +−

Tânia Souza

#14 Bruna Bertolo » 17-05-2013 03:15

Parabéns Tânia!! Eu precisava de referências e bases para entender e construir uma boa perspectiva sobre este e você me ajudou muito! Realmente incrível! :lol:
−4 +−

Bruna Bertolo

#13 Cintia Azevedo » 08-05-2013 22:04

Nunca tinha visto este Filme quando vi no começo odiei , mas depois vi umas cenas e me interessei .. é mtto boom
- #AMEI♥
−5 +−

Cintia Azevedo

#12 Cintia Azevedo » 08-05-2013 22:02

Parabéns !
Ficou Otimo, excelente ! :D
−7 +−

Cintia Azevedo

#11 ana luuisa » 05-03-2013 21:35

adoooorei o livroo toomara q coontinua sofreendo transformaçooes entre os perssonaagens maais eu adoorei msm dee paixaao ... :lol:
−2 +−

ana luuisa

#10 Tânia Souza » 23-01-2013 01:16

Muito obrigada personas, eu simplesmente adoro esse livro.
−2 +−

Tânia Souza

#9 F. P. Andrade » 16-01-2013 23:09

Parabéns pela resenha, Tânia, muito boa! Já li o livro e considero a Shelley uma das minhas mais fortes influencias na literatura. Junto com Sherydan Le Fanu e Anne Rice.
0 +−

F. P. Andrade

Adicionar comentário

Código de segurança
Atualizar

Você está aqui: Resenhas Livros Resenha: Frankenstein - Mary Shelley