A Corrente – Estevão Ribeiro

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A corrente – Estevão Ribeiro

Resenha de Tânia Souza

Receba a mensagem. Passe adiante... mantenha-se vivo.

A capa impressiona: um teclado retorcido e parcialmente queimado, com sangue coagulado derramando-se por cima das teclas derretidas causa impacto. E para quem gosta de terror, desperta a curiosidade mesmo. A primeira vez que ouvi falar sobre o thriller de Estevão Ribeiro, foi lendo um comentário sobre essa capa, por sinal, muito bonita. Desde então, esperei ansiosamente para ler e não me decepcionei. Alguns leitores apontaram semelhanças com o filme O Chamado, mas o enredo apresenta identidade e características próprias, gosto da variação narrativa quando apresenta trechos de linguagem virtual. A narrativa transita do repugnante ao melancólico de forma bem interessante, é assombrar-se e ao mesmo tempo, talvez se comover com alguns fatos narrados. Mas não se engane, o desespero em busca da sobrevivência traz um ritmo angustiante na maior parte do tempo.

Afinal, o que esperar de um livro denominado A corrente? Correntes são comuns na atualidade, espalhando-se por meio de e-mails diversos, alguns disfarçados de atos de generosidade, outros, amaldiçoando declaradamente. Mas não são criações do universo virtual, apenas ganharam impulso por meio dele. Na minha adolescência, lembro que a visão de um envelope sem remetente me arrepiava. Era mais uma maldita corrente. A melhor opção era não abrir e se livrar o mais rápido possível da peça. Aos incautos que abriam, tirar tantas cópias e passar adiante, e naquela época, copiar era tarefa manuscrita. Afinal, Smith, o fazendeiro americano não repassou a corrente e... Lá na França, “Ana não sei das quantas” estava pronta para se casar, mas... Na Itália, uma dona de casa repassou e... a lista era criativa e cada local citado comprovava que a corrente havia atravessado o mundo com sua maldição. Era repassar ou sofrer as conseqüências. Desde então, as cartas sem remetente deram espaço ao correio eletrônico e as correntes proliferam. Com a diferença que conhecemos, alguns apenas virtualmente, os remetentes.

Pois é justamente esse o argumento narrativo de A corrente. Um email que traz consigo uma maldição que parece ser impossível de acreditar. O autor trouxe a lenda, ou mito, ao momento contemporâneo e escreveu uma história de terror muito interessante. Em cenas que o leitor não consegue identificar de imediato se fazem parte do plano da realidade ou da alucinação, todos os elementos do fantástico estão presentes: a insanidade, o medo, a imaginação e a aparente impossibilidade de fuga. Qual o mistério que as correntes trazem?

Em meio a maldições, espectros, algumas situações inexplicáveis, mortes violentas, tentativas para se livrar da maldição e desvendar o mistério da corrente, o autor nos oferece um painel no qual cada personagem representa uma faceta da sociedade: as faces por trás dos teclados pertencem a pessoas comuns nesse cenário contemporâneo tão preso à tecnologia. Assim como as relações desgastadas ou fortalecidas pelo meio virtual. A solidão oculta em cada palavra teclada. Os riscos e perigos escondidos. Os amores, amigos e inimigos que surgem inesperadamente. Os sonhos abandonados e a necessidade de simplesmente, sobreviver. Roberto Morate, Bruna, Laura, Fábio, Plínio, Gésser, André, Lidia, Ingrid, Leda, entre outros, são pessoas que poderiam estar, nesse momento, na sua lista de amigos. Ainda que a narrativa não aprofunde a caracterização de alguns personagens como eu gostaria e desafie a verossimilhança em alguns raros momentos, (um dos seus aspectos menos favoráveis) a narrativa ganha força com a apresentação desse painel social.

A ameaçadora Bruna chega aos personagens por meio de uma corrente aparentemente aleatória e inofensiva como todas as outras, mas com um diferencial: ignorar essa corrente não significa salvação! Deletar o e-mail não vai adiantar e, para que alguém se salve, outras pessoas devem ser condenadas.

O que você faria? Leia, descubra e... passe adiante!

Comentários   

#1 WynnEloise » 20-03-2013 01:58

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WynnEloise

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